A consciência emana de profundezas desconhecidas

“Nossa consciência não se cria a si mesma, mas emana de profundezas desconhecidas. Desperta gradualmente na criança, e cada manhã, ao longo da existência, desperta das profundezas do sono, de um estado de inconsciência. É como uma criança que nasce diariamente das profundezas do inconsciente materno. Sim, um estudo mais acurado da consciência nos mostra claramente que ela não é somente influenciada pelo inconsciente, como também emana constantemente do abismo do inconsciente, sob a forma de inúmeras ideias espontâneas. Por isso, a meditação sobre o significado do sol e da água é como uma espécie de descida à fonte psíquica, ou, em outras palavras, ao nosso próprio inconsciente.

(…) assim também o iogue procura dar solidez à água que contempla, primeiro através da solidez do gelo e, em seguida, do lápis-lazúli, formando assim o “chão” firme, como ele próprio o denomina. Cria, por assim dizer, um corpo sólido para a sua própria visão, e confere assim ao elemento interior, isto é, às formas de seu mundo psíquico, uma realidade concreta que substitui o mundo exterior. Não há dúvida de que, inicialmente, ele não vê senão uma superfície refletora azul, como, por exemplo, a de um lago ou do mar, que é também um símbolo corrente do inconsciente em nossos sonhos. De fato, sob a superfície refletora da água escondem-se profundezas desconhecidas, obscuras e misteriosas.”

JUNG, C.G. Psicologia e Religião Oriental,OC. Editora Vozes. 2011. Pág.112-113.

Considerações em torno da psicologia da meditação oriental

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