O extrovertido e o introvertido

(…) esses temas quaternários mitológicos primitivos, ou mesmo evoluídos, são automanifestacões do inconsciente coletivo, de modo que não podemos identificá-los com um fenômeno consciente, ao passo que as funções são modos de comportamento da consciência.

A consciência se desenvolve na primeira infância como se sabe, a partir do inconsciente. Segundo nosso ponto de vista, inconsciente é um fato primário e o consciente, secundário. Por conseguinte,a totalidade tem no tempo antes da personalidade consciente e poderiam ser observadas como no diagrama seguinte.

A consciência em si é um campo de representações porque as representações só são consideradas conscientes a medida que são associadas ao complexo do ego. Se digo: “Sei que isso é assim significa que isso é consciente para mim, que é um fato no meu campo de consciência. Quando as funcões se desenvolvem no campo da consciência – A, B, C, D no diagrama -, elas vêm de baixo, primeiro, vamos dizer, a função pensamento, que depois se torna uma das principais funções do ego, o qual usa principalmente a operação do pensamento na organızaçao do seu campo de consciência. Lentamente, outra função aparece e, pouco a pouco, todas elas – na presença de condicões favoráveis surgem no campo da consciência: Assim, obtemos uma estrutura quádrupla na consciência que reflete exatamente a estrutura quádrupla pré-consciente. Temos um quaterno de funções na consciência porque já existe uma tendência inata de formar essa estrutura quádrupla no inconsciente. (…), mas não representam sua miragem na consciência.

(…) Se, portanto, temos um fenômeno quádruplo na mitologia, melhor dizer que representa a estrutura arquetipica geral da psique a qual, entre outras coisas, sempre produziu a tendência de se desenvolver e se transformar nas quatro funcões na estrutura da consciência.

(…)

Naturalmente, a estrutura quádrupla da psique que significa mais do que somente as funções conscientes, é geralmente representada, quando aparece, como uma automanifestação puramente primitiva do inconsciente, geralmente como um quaterno indiferenciado Existem apenas os quatro principios mais ou menos do mesmo tipo: quatro cores, ou anios. ou deuses etc. Quanto mais conectados à consciência, mais tendem a se tor nar tres animais e um ser humano. ou três deuses bons e um mau (…) Isso é particularmente assim quando lidamos com um material que foi bastante trabalhado conscientemente, quando encontramos o problema clássico do três e do quatro (…)

(…) jamais existe um curso de ação unilateral; porque, se o inconsciente constrói um campo de consciência, a repercussão dessa mudança também produz uma alteracão na estrutura inconsciente.

Gostaria de apresentar breve esboço do padrão das quatro funções na psicologia junguiana. Inicialmente, Jung distinguiu dois tipos comportamentais: o extrovertido e o introvertido. No extrovertido, a libido habitualmente fui conscientemente na direcão do objeto, mas existe uma ação contrária que volta em direção ao sujeito. Para o extrovertido, o avanco oculto na direção do sujeito é geralmente um fator Inconsciente. No caso do introvertido, ocorre o oposto, pois ele tem a impressão de que um objeto constantemente o esmagasse, de modo que precisa continuamente se afastar deste, uma vez que tudo está caindo sobre ele, é continuamente esmagado pelas impressões, mas não tem consciência de que está secretamente emprestando energia psíquica ao objeto através da sua extroversão inconsciente.

(…) Podemos dizer que todas as funcões superiores em uma pessoa (…) têm a tendência de se comportar de determinada maneira, e a função inferior em um indivíduo, independentemente de qual ela possa ser, também apresenta um tipo geral de comportamento.”

FRANZ, Marie-Louise von.Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 32-37.

A autorealização na terapia individual de C.G. Jung

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