Grupos em centro

“(…)Raymund Battegay observou, com relação a seus pacientes, que seus grupos de terapia sempre queriam ter “sua própria sala”, de uma maneira semelhante ao apego do animal ao seu território e ao apego territorial das tribos e nações.

Esse apego territorial tem origem no arquétipo da mãe, e observou-se que, com ele, as pessoas tendem a projetar a “mãe” sobre o grupo, fato que frequentemente gera todos os tipos de regressões infantis.

Mas essa não é a única possibilidade: entre os judeus que viviam no exílio, a Lei substituiu o território e revelou possuir a mesma eficácia para manter o grupo unido. Nas fraternidades, nos bandos de guerreiros e em grupos semelhantes, as pessoas se mantêm unidas mais por um “espírito” ou “ideia” comum, i.e., o arquétipo do pai.

A sociologia descobriu que todos os grupos se reúnem em torno de alguma espécie de centro, que é definido como se concentrando sobre o tema de um grupo, o propósito de um grupo ou a meta de um grupo. A existência de todos os grupos depende desse centro. Ou o centro possui um propósito puramente racional, como os grupos esportivos, comerciais e políticos, ou pertence a uma ordem superior, como o totem nas tribos primitivas, ou os símbolos das sociedades religiosas, nas quais o centro satisfaz “a necessidade de uma experiência transcendente”. Nos grupos de terapia, o centro consiste na meta de apoiar as tendências curativas e as tendências de nos tornarmos mais conscientes do nosso comportamento social, e dos mútuos efeitos que exercemos uns sobre os outros nos relacionamentos.

(…) Alguns grupos, como os comerciais e esportivos, ou mesmo alguns grupos políticos, têm apenas metas racionais conscientes, mas tão logo algum fator ideológico oculto ou visível entra em cena, eles se tornam “emocionalmente” unidos e revelam através desse fato que estão sob alguma influência arquetípica. Quanto maior a influência emocional de um arquétipo, maior se torna a coerência do grupo. O nacional-socialismo e o comunismo mostraram isso muito claramente, o primeiro tendo sido um revivescimento do wotanismo e o segundo, um mito do Salvador distorcido.

Com maior coerência, existe sempre maior agressividade contra os forasteiros e contra os “não simpatizantes”. Esses grupos políticos se aproximam do padrão dos grupos com maior coerência: as comunidades religiosas que se reúnem em torno de um centro transcendente.

(…) um símbolo de “Unidade-pluralidade” que une, de forma paradoxal, os múltiplos arquétipos e a unidade do inconsciente coletivo em uma única forma. Mas esses símbolos Deus-Homem e imagens de mandala reúnem uma pluralidade de formas não apenas sob esse aspecto; eles também reúnem uma multidão, na medida em que o Si-mesmo dentro de cada indivíduo é seu próprio Si-mesmo único e também o Si-mesmo de todos os outros seres humanos.”

FRANZ, Marie-Louise von. Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 341-344.

A Psicologia em grupo

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