“(…)Incorreria em erro lamentável quem considerasse minhas observações como uma espécie de demonstração da existência de Deus. Elas demonstram somente a existência de uma imagem arquetípica de Deus e, na minha opinião, isso é tudo o que se pode dizer, psicologicamente, acerca de Deus.
Não posso deixar de chamar a atenção para o interessante fato de que, enquanto a fórmula do inconsciente representa uma quaternidade, o simbolismo cristão central é o da Trindade. Não há dúvida de que, estritamente falando, a fórmula cristã ortodoxa não é de todo completa, por faltar à Trindade o aspecto dogmático do princípio do mal, embora este leve uma existência separada, mais ou menos precária, sob a forma do demônio. Seja como for, a Igreja não exclui, ao que parece, uma relação interna do demônio com a Trindade. A respeito disto, uma autoridade católica se expressou da seguinte maneira: “Não se pode entender a existência de satanás a não ser a partir da Trindade”.
Por conseguinte, o demônio tem uma personalidade autônoma, liberdade e eternidade e possui estas qualidades metafísicas em comum com a divindade, de tal modo que pode, inclusive, existir contra Deus. De acordo com isto, não se poderia negar que a relação do demônio com a Trindade e mesmo sua pertinência (negativa) constituem uma ideia católica.
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O estudo científico dos sonhos é a antiga oniromancia com novas roupagens e talvez, por isso, seja tão condenável como as demais artes “ocultas”.
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A atitude espiritual do homem moderno que se colocar sob o veredicto do extra ecclesiam nulla salus (fora da Igreja não há salvação), será a de voltar-se para a alma como sua última esperança.
Os antigos filósofos da natureza representavam a Trindade — imaginata in natura (imaginada através da natureza) — como os três asonata, spiritus ou volatilia, ou seja: água, ar e fogo. A quarta parte integrante era o somaton, a terra ou o corpo. Eles simbolizavam esta última por meio da Virgem.”
JUNG, C.G. Psicologia e Religião.Psicologia e Religião Ocidental e Oriental ,OC. Editora Vozes. 2012. Pág.78-82.
II. Dogma e Símbolos naturais
