Mão de Deus

“Vistos pelo aspecto do simbolismo numérico, o três e o triângulo são masculinos-dinâmicos, ao passo que o quatro e o quadrado são femininos-estáticos.

O perigo de qualquer tipo de ateismo é que o ser humano possa colocar a si mesmo no centro, na qualidade do ego, sofrendo assım uma inflação que pode lançá-lo em uma catástrofe psíquica. (…) Os alquimistas da Antiguidade e da Idade Média nunca se cansavam de repetir que a pedra filosofal in stercore invenitur (“é descoberta no meio do excremento”) e que as pessoas deste mundo descuidadamente esmagam esse refugo.

É verdade gue o que analista tem de ouvir o dia inteiro, sentado no consultório, não é puramente edificante. Tem de ouvir a respeito de brigas conjugais, de ciúmes enlouquecidos, explosões de ressentimento reprimido, fantasias sexuais, necessidades financeiras e intermináveis “entao ele disse… e aí eu disse…” Estamos todos presos, os pacientes e todos nos, em um horrível excremento. Mas, quando olhamos mais de perto, podemos ver a mão de Deus nele!

Essa talvez tenha sido a maior arte de Jung: ele era capaz de ouvir todo esse lixo e permanecer estranhamente impassivel, e depois, com uma palavra ou gesto, apontar de repente para a mão de Deus que se tornava visível nesse İixo, ou seja, para o significado mais profundo da crise atual que tornava possível aceitá-la. Ele era capaz de fazer isso porque não estava procurando tanto pelo porquê – a história pessoal dos sintomas neuróticos que explicava como estes haviam se originado – e sim, pelo objetivo, o telos, ou sigificado dos fenômenos que estao ao alcance.”

FRANZ, Marie-Louise von.Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág.24-27.

A autorealização na terapia individual de C.G. Jung

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