O Si-mesmo

“A propósito, talvez valha a pena observar que as pirâmides efetivamente exibem estranhas propriedades físicas que ainda não foram explicadas. Rperiências com modelos da pirâmide de Quéops feitas de cartolina mostraram que cadáveres colocados no interior delas não se decompunham; giletes cegas colocadas lá dentro recuperaram o fio. Esse fenômeno deve estar relacionado com a geometria do espaço interior, mas nada de preciso se sabe.

(…) o que Jung queria dizer com o Si-mesmo. Não é o ego, e sim uma personalidade interior eterna ou mais abrangente que é sugerida por esse símbolo. Jung também o definiu como a totalidade consciente-inconsciente da pessoa. Embora esse Si-mesmo já esteja presente em toda pessoa como sua constituição básica, só é realizado na prática através do entendimento dos sonhos ou através da imaginação ativa. Ao ser realizado, ele “encarna a si mesmo, por assim dizer, na vida mortal do ego. Se eu tivesse um dom musical como o de Beethoven, mas nunca o descobrisse nem fizesse uso dele, seria a mesma coisa que não existisse. Somente o ego consciente é capaz de realizar conteúdos psíquicos. 

“CfS. Ostrander e L. Schroeder, Psi, Scherz Verlag, Berna. Munique e Viena, 1970, p. 308ss, (Karel Drbal.)”

(…) Nesse ponto, torna-se mais fácil compreender por que Jung sempre exigiu que os analistas se esforçassem ao máximo para continuar a progredir na própria individuação. Ao fazer isso, levam seus analisandos junto com eles na jornada, sem tentar influenciá-los diretamente (o que seria abuso de poder) (…)E porque a compreensão intelectual é destrutiva. Afinal de contas, compreender (comprehendere, em latim) significa “apoderar-se”, “agarrar”, correspondendo assim a um exercício do poder. Quando o ser e o destino do paciente estão em risco, devemos nos relacionar com seu mistério único com um respeito mudo. Como disse Jung: “Precisamos compreender o divino que existe em nós, mas não o que existe em outra pessoa na medida em que ela é capaz de ir em frente e compreender sozinha” (…)

(…)Na mitologia, mente associado à corrente do tempo, ao fluxo da vida.

O rio também é uma imagem de eterna mudança. Precisamos nos lembrar da declaracão de Heráclito de que nunca podemos entrar duas vezes no mesmo rio.”

FRANZ, Marie-Louise von.Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 20-23.

A autorealização na terapia individual de C.G. Jung

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