A barulhenta sociedade do cansaço é surda

“A barulhenta sociedade do cansaço é surda. A sociedade do porvir poderia, em contrapartida, ser uma sociedade dos escutadores [Zuhörenden] e escutantes [Lauschenden]. É necessária, hoje, uma revolução temporal, que permita que um tempo inteiramente diferente comece. A crise atual do tempo não é a aceleração, mas a totalização do tempo do si. O tempo do outro se furta à lógica do aumento do desempenho e da eficiência, que produz uma pressão por aceleração.”

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 1273.

Escutar

Barulheira de comunicação

“A hipercomunicação atual reprime o livre-espaço do silêncio e da solidão, unicamente no qual seria possível dizer coisas que realmente valeria a pena serem ditas. Ela reprime a linguagem, da qual o silêncio faz essencialmente parte. A linguagem se ergue de uma quietude. Sem ela, ela é apenas uma barulheira.

A barulheira de comunicação não possibilita a escuta. A natureza, como princípio poético, se abre apenas na passividade originária da escuta.”

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 1014-1017.

Linguagem do outro

Tensões no aparato psíquico

“As tensões no aparato psíquico, que resultam dos efeitos da proibição e da repressão, fazem com que surjam vozes. Assim, Daniel Paul Schreber, autor de Feitos memoráveis de um doente dos nervos, sente-se perseguido por vozes. Elas ressoam de um lugar inteiramente outro. Schreber fala de um “tráfego de vozes que parte de um outro lugar e que sugere uma origem sobrenatural”. As vozes, que falam incessantemente com ele, são atribuídas a Deus: “Permanece, então, para mim, uma verdade incontestável, que Deus se revelou novamente todo dia e a toda hora por meio de conversas de vozes e maravilhas”. Schreber adquire sinfonias, caixinhas de música ou acordeões orais, “a fim de, em certas ocasiões, se sobrepor à tagarelice das vozes e, assim, conseguir-me pelo menos um repouso provisório”. A voz é um fantasma, um espírito. O que foi excluído e reprimido retorna como voz. A negatividade da negação e da repressão é constitutiva para a voz. Na voz, o conteúdo psíquico reprimido retorna. Na sociedade em que a negatividade da repressão e da negação dá cada vez mais lugar à permissividade e à afirmação haverá cada vez menos vozes para se ouvir. Em contrapartida cresce, porém, a barulheira do igual.”

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 870.

Voz

O barulho da comunicação

“Heidegger diria que, hoje, o barulho da comunicação, o rebuliço digital de dados e informações nos torna surdos à silenciosa vibração da verdade, à sua força [Gewalt] silenciosa: “Uma vibração: é a verdade / ela mesma emergida entre os homens, / em meio ao rebuliço de metáforas”.

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 101.

Terror do igual

Os novos meios de comunicação

“Os novos meios de comunicação são dignos de admiração, mas causam um barulho descomunal”. O barulho de comunicação destrói o silêncio, furta a linguagem de sua capacidade contemplativa.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 329.

Considerações sobre a inatividade