Substância Infinita

É a ilusão cósmica que transmite a ideia de substâncias e objetos fixos e diferenciados, com propriedades definidas e imutáveis. A força criadora universal, ou maya, evoca aparentes limitações no Ilimitado; ela faz com que a Substância Infinita, desprovida de vibrações, se apresente como coisa finita por meio da vibração, movimento e pro cesso de mudança. Em última análise, nada neste universo é finito, exceto os vários estágios de mudança por que passa a materialidade.

As ondas no oceano são finitas porque surgem temporariamente e então se dissipam – de novo temporariamente, até que surjam outra vez. Quando o oceano forma ondas, e as ondas desaparecem no seio do oceano, alguém consideraria que a água das ondas se perdeu? Não. Ela retornou à sua origem. O que desapareceu foi somente aquela específica forma ondulada que a água havia assumido.

(…)

O mesmo acontece com toda a matéria: vórtices de partículas e energias em metamorfose se unem e separam numa incessante dança vibratória de transformações, produzindo por algum tempo substân cias e objetos que têm a aparência de ser finitos, de estar separados de outros objetos, de ter princípio e fim. Entretanto, toda a matéria em sua essência subjacente é ilimitada e imutável: suas fases mutáveis são transitórias, mas o Poder que vibra em tais mudanças é permanente.

O pensamento é consciência humana em vibração. A consciência humana é uma porção delimitada da Consciência Divina em estado de vibração. No processo do pensamento, a consciência humana vibra.

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. I. Editora Self, 2017, pág. 245-246.

Capítulo 11: Água em vinho: “Jesus principiou assim os seus sinais (…)”

O Afastamento da Autorrealização

As igrejas hoje se afastaram do caminho da Autorrealização, isto é, da experiência pessoal de Deus e de Cristo. As congregações geralmente se satisfazem com sermões, cerimônias, organizações e festividades sociais. A completa revitalização e reatauração do Cristianismo só pode ser efetuada com menos  ênfase em sermões teóricos com seus repetidos chavões e em cerimônias psicofísicas externas que despertam emoções superficiais, substituindo-os pela quietude da meditação e pela verdadeira comunhão interior. Em vez de serem membros passivos de uma igreja, satisfeitos meramente com sermões, os devotos devem ocupar-se mais com o esforço para cultivar a perfeita quietude do corpo e da mente. A paz da absoluta quietude física e mental é o verdadeiro templo onde Deus mais frequentemente visita Seus devotos: “Aquietai-vos, e sabei que Eu sou Deus“* 

Aqueles que vagueiam de uma igreja a outra em busca de satisfação intelectual raramente encontram Deus, pois o estímulo do intelecto é necessário apenas para nos inspirar a “beber” Deus. Quando o intelecto se esquece de verdadeiramente “experimentar” Deus, ele se torna um empecilho à Autorrealização. A verdade espiritual e a sabedoria não são encontradas em quaisquer palavras de um sacerdote ou pregador, mas no “deserto” do silêncio interior. (…) “O Consolador, o Espírito Santo (…) vos ensinará todas as coisas” (João 14:26).

Por meio do método correto de meditação no Espírito Santo como a luz do olho espiritual e o som sagrado da vibração cósmica de Om, qualquer devoto perseverante, com a prática constante, pode experimentar as bênçãos da manifesta presença vibratória de Deus. A Vibração Sagrada (o Grande Consolador), estando permeada com a consciência universal refletida de Deus, contém a bem-aventurança divina que a tudo permeia.”

Nota: Salmos 46:10.

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. I. Editora Self, 2017, pág. 134-135.

Capítulo 6: O batismo de Jesus.

Eu Sou a Voz, ou Som Cósmico

“Este é o significado de sua resposta: “Eu sou a voz, ou Som Cósmico, clamando ou vibrando no deserto do silêncio”. Deserto significa a consciência de um santo, onde não pode crescer a vegetação de novos desejos materiais. O santo se transforma em terreno árido no qual a presença de Deus possa florescer sem a resistência do desabrochar de intrusões materialistas.

(…) João respondeu que concedia o batismo físico com água, purificando a consciência com um arrependimento que traria uma influência espiritual temporária. E prosseguiu dizendo que o ser superior que ainda estava por vir mostraria às pessoas o caminho para a redenção pelo batismo no Espírito – proclamando que era papel de Jesus, com sua aura crística, batizar as almas com o fogo da sabedoria e o poder das sagradas emanações vibratórias do Espírito Santo.”

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. I. Editora Self, 2017, pág. 114.

Capítulo 6: O batismo de Jesus.

Força Mental e Ilusão

“Em sonho, o corpo físico sólido, o corpo astral luminoso e o corpo causal ou ideativo podem ser percebidos como reais. Se o sonhador desperta completamente, compreende que essas “realidades” são um sonho, o resultado de uma condensação da mente ou de uma imaginação materializada. Do mesmo modo, no sonho cósmico Jesus se encontrava limitado por seus corpos físico, astral e causal, cada um com seus instrumentos funcionais de percepção e consciência. Foi somente quando Jesus despertou por completo em Deus, três dias após a crucificação, que o sonho cósmico se desvaneceu totalmente na percepção de que apenas o Espírito existe. Mas tal percepção não abrandou a dificuldade de Jesus enquanto estava em sua cruz onírica e sob a influência do sonho cósmico. 

Deus cria primeiro o universo em pensamento e então o materializa em um sonho; mas Ele pode reverter à vontade o sonho material e transformá-lo num universo de puro pensamento. Os devotos que se encontram em sintonia com Deus podem perceber que o universo é constituído de pensamentos de sonho: um universo onírico que, no êxtase da profunda comunhão divina na meditação, pode ser contemplado como um universo de pensamento.

Enquanto a pessoa que tem pesadelos não desperta, é impossível convencê-la de que não está sofrendo; do mesmo modo, é muito difícil convencer qualquer ser humano que esteja sob a influência deste sonho cósmico de que ele está sonhando uma ilusão.

(…)

Em vez de ceder às exigências do corpo, o homem deve suportar com imparcialidade cada experiência que a vida apresente. Isso não significa festejar o sofrimento, mas preservar a mente forte quando vem a dor e o infortúnio. Aquele cuja mente alcança a vitória com prova que o sofrimento deixa de existir.

(…)

Quanto mais realidade se atribui ao sofrimento, maior é a dor; e ele não terá fim até que se transcenda aquele sonho. Jesus passou pela terrível provação na cruz para mostrar a todos nós que as experiências da vida terrena não podem nos afetar mais do que nossos sonhos noturnos quando conhecemos a Deus.”

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. III. Editora Self, 2017, pág. 409-411.

Capítulo 74: A crucificação.

O Senhor da Vinha e a Consciência Crística

Em uma parábola simples que encerra verdades metafísicas, Jesus relata como, no princípio de um incomensurável ciclo da criação universal, o “Pai de Família” Cósmico criou esta Terra como uma fértil vinha em que Seus filhos humanos – as almas, um reflexo de Seu próprio e único Ser – destinavam-se a trabalhar como “lavradores” a fim de cultivar os frutos da libertadora sabedoria e com eles deleitar-se. O Senhor cercou a vinha terrena com a aura de Suas vibrações divinas, cavou na consciência humana um lagar de intuição e edificou ali uma torre de visão espiritual. Depois disso entregou essa vinha aos cuidados de Seus lavradores – as almas encarnadas – e “ausentou-se para longe“, ou seja, ocultou-Se no plano transcendente da Consciência Cósmica pela duração daquele ciclo da criação.

Chegando o tempo dos frutos” – quando Deus esperava que os lavradores das videiras da sabedoria a quem arrendara a frutífera vinha colhessem a safra de muitas experiências belas –, Ele enviou Seus profetas para coletar desses lavradores uma parte de sua colheita de amor e gratidão fertilizada pela sabedoria. Mas as pessoas da Terra, cuja prístina consciência espiritual se havia degradado sob a influência da ilusão, recusaram-se a aceitar os mensageiros de Deus e os rejeitaram com violência. Muitos outros profetas enviados à Terra foram igualmente caluniados e assassinados. Um deles veio na forma de João Batista e também foi tratado de modo vergonhoso.

Por último, o Senhor da vinha resolveu enviar às pessoas ingratas e cruéis da Terra Seu reflexo único em toda a criação vibratória – O Filho ou Consciência Crística – manifestado na forma de um avatar. Deus esperava que tais pessoas ingratas demonstrassem reconhecimento a Ele, reverenciando Seu filho. Entretanto, elas estavam embriagadas com a ilusão. Em sua perversidade, desejaram desfrutar as bênçãos da Terra sem a interferência dos preceitos orientadores de Deus ou de Seus emissários. Apesar da evidência de que esse filho era “o herdeiro“, um autêntico representante de Deus em quem a consciência divina estava plenamente manifestada, eles o mataram com a expectativa de “apoderar-se de sua herança, ou seja, de governar a Terra de acordo com seus próprios desejos, em vez de fazê-lo segundo os princípios da retidão.

É evidente que nesse caso Jesus se referia a si próprio, profetizando sua crucificação – o ponto culminante do mau tratamento que havia recebido dessas pessoas egotistas que ocupavam cargos de autoridade – e também o inevitável resultado de tais atos: o Senhor da vinha da Terra, por meio da Lei Cósmica, puniria os responsáveis pelo mal causado a Seu filho e daria a vinha a outros arrendatários que tentariam cultivar os frutos da sabedoria e oferecê-los em agra decida adoração. (…) “entenderam que falava deles“.

Outros lavradores” – aqueles que entregariam ao Senhor Vinha “os frutos a seu tempo” – é uma referência às gerações futuras de devotos que reverenciariam a vida exemplar de Jesus e seus ensinamentos. Por meio da devoção à Consciência Crística manifestada nesse filho divino, eles colheriam de seu trabalho na vinha da Terra uma profusa safra de sabedoria divina: a percepção do reino divino presente dentro deles – uma região de tão abundante bem-aventurança que eles voluntariamente devolveriam ao Senhor, na forma de louvor e adoração, os frutos que haveriam de colher.

Jesus prosseguiu, profetizando que a Consciência Crística – rejeitada por aqueles que haviam edificado sua própria civilização – seria a pedra angular utilizada na construção do templo de uma vida celestial sobre a Terra.”

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. III. Editora Self, 2017, pág. 182-183.

Capítulo 65 : Jesus ensina pela última vez no templo de Jerusalém.

Boa Nova do Reino de Deus

“O Universo é regido por leis perfeitas e imutáveis tanto na dinâmica das suas leis físicas como na regência das suas leis morais. Tudo se move num nitro harmonioso e seguro. Assim, quanto aos Espíritos, longa caminhada da sua evolução, proporciona-lhes sempre múltiplas oportunidades ou ensejos de desenvolverem e consolidarem a sua consciência individual, pois esta matriz que lhes estrutura o caráter.

Em tais condições, todos os acontecimentos de grande projeção moral e social, que se processam na face dos planetas, estão subordinados a um esquema de absoluta segurança previsto pelo Governo Oculto de cada orbe. A conturbação proveniente de surpresas ou imprevistos no existe nas manifestações panorâmicas da Criação cósmica.

Consequentemente, Jesus só desceu à Terra depois do Alto programar e aprovar o fato. Porém, quanto aos aspectos intermediários de suas atitudes, tratando-se de um missionário de elevada hierarquia espiritual, torna-se evidente que ele não seria um autômato acionado por “cordões” manejados do mundo invisível. Era um elevado mensageiro eleito pela Administração Sideral para entregar à Humanidade terrena o Código de sua própria redenção espiritual.

(…)

Num dos momentos mais expressivos de sua vida, quando lhe solicitaram para demonstrar suas credenciais superiores de Mestre, eis que ele curvou-se humilde e lavou os pés dos seus apóstolos.

(…)

Todos os espíritos ligados ao Mestre Nazareno e participantes do advento do Cristianismo eram peças escolhidas com a devida antecedência visando a mais proveitosa movimentação no plano redentor da humanidade.”

RAMATÍS. O Sublime Peregrino. Obra psicografada por Hercílio Maes. São Paulo: Ed. Conhecimento, 2020, pág. 274-276.

 

Doutrina Através das Parábolas

“Nas parábolas ele punha toda sua tática e inteligência, pois o mais insignificante fenômeno da Natureza transfundia-se na força de um símbolo cósmico. Os seus ensinamentos estão repletos de comparações singelas, mas sempre ligadas à vida em comum dos seres, que atravessaram os séculos e se transformaram em conceitos definitivos, constituindo-se num repositório de encantamento para a redenção humana.

(…)

Só mesmo a força criadora de um Anjo e o sentimento excelso de um Santo, conjugados à sabedoria cósmica de um Sábio, seriam capazes de modelar preceitos eternos sob a argila das palavras mais insignificantes.”

RAMATÍS. O Sublime Peregrino. Obra psicografada por Hercílio Maes. São Paulo: Ed. Conhecimento, 2020, pág. 230-231.

 

O Evangelho Compreensível da Ciência Cósmica

“Assim como o Espiritismo é a síntese iniciática mais acessível à mente do homem comum, o Evangelho estruturado por Jesus constitui também a súmula mais compreensível da Ciência Cósmica, para a mente do homem terrícola. Quando os adeptos do Espiritismo penetram cada vez mais no seu âmago, surpreendem-se com as revelações que descobrem Identificadas com todas as ciências ocultas e os ensinos iniciáticos. Na intimidade do Evangelho, as singelas máximas pregadas por Jesus identificam-se com todas as leis que regem o próprio Cosmo.”

*O Evangelho à Luz do Cosmo.

RAMATÍS. O Sublime Peregrino. Obra psicografada por Hercílio Maes. São Paulo: Ed. Conhecimento, 2020, pág. 86-87.

Identidade Sideral

“Mais uma vez tomais a palavra do espírito pelo espirito da palavra, porquanto não estamos nos referindo a qualquer situação geográfica ou astronómica nestes relatos. Jesus deixou o seu reino espiritual apenas quanto à redução do seu campo vibratório e da sua consciência sideral, mas não veio de qualquer outra latitude astronómica ou cósmica. A esfera dos Amadores é um conjunto sideral de almas excelsas e identificadas por um padrão espiritual semelhante ao de Jesus. São espíritos eletivos, entre si, que formam um todo ou coletividade sideral e vibram, felizes, unidos pela mesma natureza angélica. Não se trata de uma “esfera material” ou planeta físico, mas de um “estado vibratório” peculiar e de natureza superior. São entidades portadoras de um Amor incondicional; e sentem-se felizes quando eleitas para qualquer missão redentora nos mundos físicos, dispondo-se a todos os sacrifícios em benefício dos seus irmãos que ainda se encontram nesses planos inferiores.

(…)

Jesus foi um “Avatar” eleito da esfera dos Amadores para baixar à Terra no tempo predito, porque só um espírito do quilate dessa esfera seria capaz de tanto amor e renúncia para a missão de redimir o homem terreno.

No entanto, desde a origem do vosso orbe, ele jamais deixou de presidir os vossos destinos, atento ao esquema evolutivo traçado há trilhões de anos terrestres na elaboração do atual “Grande Plano que vos proporciona a aquisição individual de consciência espiritual.”

RAMATÍS. O Sublime Peregrino. Obra psicografada por Hercílio Maes. São Paulo: Ed. Conhecimento, 2020, pág. 76-77.

Fatos Secretos

“Quando entraram, encontraram Jesus descansando tranquilamente, recobrando rapidamente as forças e a vitalidade. Uma hora depois, a tempestade havia serenado o suficiente para que os Essênios O escoltassem para fora do sepulcro.

Jesus havia usado todos os poderes do Seu ser, pela per feita harmonização com o Cósmico, para restaurar a força e a consciência em todas as partes de Seu corpo e em todas as Suas faculdades grandemente desenvolvidas. Por isto puderam os Essênios colocar Seu corpo sobre um potro e cobri-Lo com mantos pesados. Dirigiram o potro com sua preciosa carga através da chuva leve e pela densa escuridão até um local afastado, pertencente à Fraternidade, a pouca distância dos muros da cidade.”

LEWIS, H. Spencer. A Vida Mística de Jesus. Curitiba, PR: AMORC, 2001, p. 247.