O belo se mostra

“O belo se mostra apenas ao longo olhar contemplativo. Onde o sujeito de ação se retira, onde o seu ímpeto cego pelo objeto é interrompido, as coisas recuperam a sua alteridade, o seu caráter de enigma, a sua estranheza, o seu segredo.

A arte pressupõe a autotranscendência. Quem tem a arte em mente é esquecido de si. A arte cria uma distância do eu.”

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 992-1008.

Linguagem do outro

Ausência de distância

“A rede se transforma, hoje, em um campo de ressonância especial, em uma câmara de eco, da qual é eliminada toda alteridade, toda estranheza. A ressonância real pressupõe uma proximidade do outro. Hoje, a proximidade do outro dá lugar à ausência de distanciamento do igual. A comunicação global permite apenas iguais outros ou outros iguais.

Está inscrita na proximidade, como sua contraparte dialética, a distância. A eliminação da distância não produz mais proximidade, mas a destrói. Em lugar da proximidade surge uma completa ausência de distância. Proximidade e distância estão imbricadas uma na outra. Uma tensão dialética as mantém unidas. Ela consiste em que as coisas são animadas justamente por seu oposto, pelo outro de si mesmas.”

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 111-114.

Terror do igual