Angústia em Heidegger

“A angústia tem, em Heidegger, uma relação estreita com a morte. A morte não significa o mero fim do ser, mas “uma maneira de ser”, a saber, a possibilidade extraordinária de ser si mesmo. Morrer significa: “‘Eu sou’; ou seja, eu serei meu eu mais próprio”. Em vista da morte, desperta uma “decisividade silenciosa, que exige a angústia”, para o ser-si-mesmo verdadeiramente autêntico [eigentlich]. A morte é minha morte.”

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 462.

Angústia

O barulho da comunicação

“Heidegger diria que, hoje, o barulho da comunicação, o rebuliço digital de dados e informações nos torna surdos à silenciosa vibração da verdade, à sua força [Gewalt] silenciosa: “Uma vibração: é a verdade / ela mesma emergida entre os homens, / em meio ao rebuliço de metáforas”.

HAN, Byung-Chul.A expulsão do outro: Sociedade, percepção e comunicação hoje. Ed. Vozes, 2022, Local 101.

Terror do igual

O pensar já é sempre disposto

“O pensar já é sempre disposto; ou seja, exposto a uma disposição que o fundamenta. A fundamentação pré-reflexiva do pensar precede todo pensamento: “Todo pensar essencial exige que seus pensamentos e proposições sejam extraídos renovadamente, como minério, da disposição fundamental”. Heidegger se esforça, por isso, para descobrir, no pensar, o âmbito da passividade. Admite-se, aí, que o pensar, em seu âmago, é um pathos: “[…] pathos está ligado com paschein, sofrer, aguentar, suportar, entregar, deixar-se carregar, deixar-se de-finir por [algo]”. Já por isso a inteligência artificial não pode pensar, pois ela não é capaz do pathos. Padecer e sofrer são estados que não podem ser alcançados por nenhuma máquina. À máquina, a inatividade contemplativa é, sobretudo, estranha.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 658.

Da ação ao ser

Salvar a Terra

*”Salvar a Terra significa: deixá-la no possível, no círculo maduro do seu possível. A ética da inatividade de Heidegger consiste em fazer uso do possível, em vez de impor o impossível.”

*HEIDEGGER, M. Vorträge und Aufsätze. Pfullingen, 1954, p. 94.

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 549.

Uma marginália a Zhuang Zhou