Foi Belíssima Nossa Jornada Até Aqui

Pois é, meu caro viajante, viajor destemido, meu companheiro e mentor de tantas horas. Hoje nos vemos aqui, de papéis invertidos por assim dizer, laborando pelas pautas dos mesmos mestres. Modéstia à parte, foi belíssima nossa jornada até aqui, digna de filme mesmo. Mas, emprestando a grade de Campbell, eu diria que mal cruzamos o limiar do mundo comum, e que o melhor realmente ainda está por vir.

Os próximos três anos trarão consigo desertos, cavernas e iniciações profundas, sobretudo com o avanço das responsabilidades que nos cabem. A escola é apenas o primeiro passo, muitos outros ainda virão!

General

Nirvana

“A pausa no limiar do Nirvana, a resolução de adiar até o fim do tempo (que nunca tem fim)  a imersão no poço imperturbável da eternidade, representa uma percepção de que a distinção entre a eternidade e o tempo não passa de aparência – tendo sido elaborada, à força, pela mente racional, mas dissolvida pelo conhecimento perfeito da mente que transcendeu os pares de opostos. Esse conhecimento reconhece que o tempo e a eternidade configuram-se como dois aspectos da mesma experiência total, dois planos do mesmo inefável não-dual; isto é, a joia da eternidade está no lótus do nascimento e da morte: om mani padme hum”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 146.

O Caminho das Provas e Auxílio

“Tendo cruzado o limiar, o herói caminha por uma paisagem onírica povoada por formas curiosamente fluidas e ambíguas, na qual deve sobreviver a uma sucessão de provas. (…) é auxiliado, de forma encoberta, pelo conselho, pelos amuletos e pelos agentes secretos do auxiliar sobrenatural que havia encontrado antes de penetrar nessa região”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 102.

Limiar e imortalidade

“(…) a passagem do limiar constitui uma forma de auto aniquilação. (…) O desaparecimento  corresponde à entrada do fiel  no templo – onde ele será revivificado pela lembrança de quem e do que é, isto é, pó e cinzas, exceto se for imortal. O interior do templo, ou ventre da baleia, e a terra celeste, que se encontra além, acima e abaixo dos limites do mundo, são uma só e a mesma coisa”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 92.

Crença popular

“…(o limiar) marcando os limites da esfera ou horizonte de vida presente do herói. Além desses limites, estão as trevas, o desconhecido e o perigo, da mesma forma como, além do olhar paternal, há perigo para a criança e, além da proteção da sociedade, perigo para o membro da tribo. A pessoa comum está mais do que contente, tem até orgulho, em permanecer no interior dos limites indicados, e a crença popular lhe dá todas as razões para temer tanto o primeiro passo na direção do inexplorado”.

Assim, os marinheiros dos grandes navios de Colombo, ampliando o horizonte na mente medieval – navegando, como pensavam, para o oceano sem limites do ser imortal que cerca o cosmos, tal como uma interminável serpente mitológica que morde a própria cauda – tiveram que ser guiados e controlados, como se fossem crianças, porque temiam os leviatãs, as sereias, lagartos e outros monstros das profundezas que falam as fábulas”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 82.

O Chamado

“(…) o chamado sempre descerra as cortinas de um mistério de transfiguração – um ritual, ou momento de passagem espiritual que, quando completo, equivale a uma morte seguida de um nascimento. O horizonte familiar da vida foi ultrapassado; os velhos conceitos, ideais e padrões emocionais, já não são adequados; está próximo o momento da passagem por um limiar”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 61.

Rituais

“(…) o propósito e o efeito real desses rituais consistia em levar as pessoas a cruzarem difíceis limiares de transformação, que requerem uma mudança dos padrões, não apenas da vida consciente, como da inconsciente”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 20.