O Louco (LE MAT)

(…) a loucura, ou seja, a perda da razão e do senso comum, ocupa um lugar de destaque, e o personagem não é convencional, quer no sentido mais positivo (o bufão), quer no mais negativo (o homem errante).

Na corte, o bufão é aquele que tem poder sobre o rei, o privilégio de proferir o que os outros não estão autorizados a lhe dizer, e faz o contraponto à cortesă.

(…) era apresentado vestido de forma grotesca, usando guizos, bastão de bobo da corte e gorro com orelhas de burro (o burro simbolizava a ignorância e os baixos instintos do homem). (…) a desorientação, a irracionalidade.(…) as imperfeições humanas, a estupidez, como no célebre livro A Nau dos Insensatos (Das Narrenschiff, 1494), (…) ou ainda o homem de costumes desregrados, que escandaliza por seu apetite sexual. (…) Vale notar que o cão que o acompanha acentua esse aspecto: simbolicamente, o lado nefasto prevalecia, e ele era visto como um animal impuro, sujo, que causava doenças. Sua simbologia coincide com a do bode expiatório, culpado pelos erros da comunidade e depois rejeitado. O cão costuma aparecer perto de andarilhos na arte do Renascimento, maneira realista de mostrar que eram utilizados para afugentar quem se aproximasse das casas para mendigar ou roubar.

Portanto, as representações do louco são essencialmente negativas, tal como vemos na maioria dos significados divinatórios antigos dessa carta. Com eleito, a rara interpretação positiva, segundo a qual o que é loucura aos olhos dos homens é sabedoria aos olhos de Deus”, transparece muito pouco na época em que o tarô foi criado. Apenas os autores contemporâneos a retomaram.

Significados divinatórios

Ele caminha com muita rapidez (…)

(…) ao saco, ele é o emblema de seus erros que ele não quer enxergar e o tigre representa seu remorso, que o seque a galope e salta atrás dele.

(…)Sentido espiritual ruptura das comunicações divinas. Sentido moral ou alquímico cegueira moral. Sentido físico (…) a matéria. Sentido divinatório: ação irrefletida. Loucura.

Impulsividade, inconsciência, alienação, influência passiva da Lua.

Passividade, abandono absoluto, repouso, renúncia a qualquer resistência despreocupação, inocência, irresponsabilidade. Mediunidade, instinto. Abstenção, nada a fazer.

Nulidade, incapacidade de raciocinar e se orientar abandono aos impulsos cegos, automatismo. Perturbação inconsciente, extravagância. Punição inelutável de atos insensatos, remorso inútil. Aniquilação.

(…)

SENTIDO ELEMENTAR. O homem que trilha o caminho da evolução com despreocupação e sem pausa, carregando o peso de suas aquisições boas ou ruins, estimulado pelo tilintar dos pensamentos, das preocupações do momento ou dos instintos inferiores, até a em que souber realizar o equilíbrio denotado pela lâmina “o Mundo”

SENTIDO CONCRETO, A denominação “o Louco (Le Mat) que lhe foi atribuída tem o mesmo sentido dado ao xadrez, ou seja, “enclausurado”. Com efeito, ele é sobrecarregado por seu fardo, que não pode depositar no chão, é empurrado pelo cão, estimulado pelos guizos atormentado pelas preocupações do trajeto, pela obrigação de caminhar e pela coerção das cimsunstâncias que encontra pelo caminho. É também despreocupado, no sentido de que não tem consciência dos obstáculos da vida e de que só os verá posteriormente.

Indeterminação devida à multiplicidade das preocupações que se apresestarão e das quais têm apenas uma semiconsciência. Ideia em curso de transformação. Conselhos incertos.

NADOLNY, Isabelle. História do TarôUm estudo completo sobre suas origens, iconografia e simbolismo. Ed. Pensamento, 2022, pág. 200-202.

Falsidades diferentes

Material complementar

“No entanto,consideramos a mentira diferente do sonho, da loucura e do erro, porque o sonhador, o louco e o que erra se iludem involuntariamente, enquanto o mentiroso decide­ voluntariamente deformar a realidade dos fatos. Com isso, acreditamos que o erro e a men­tira são falsidades, mas são diferentes porque somente na mentira a decisão de falsear.”

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 14º Edição. São Paulo: Editora Ática. 2020, pág. 17.

Introdução: Para que filosofia?

Exercendo nossa liberdade

Aula Magna