O prazer e o sabor de redescobrir o simples

Nós, como seres humanos complicados, gostamos de complicar tudo.

Parece um talento de nossa espécie projetar em nossas relações, sejam elas consigo mesmo, com o outro, com o meio ou com o mundo externo, uma carga pessoal de medos e armadilhas de nossa psiquê, de tal sorte que tudo reflete a complicada mente do homem.

Sorrir é simples, gargalhar é descomplicado.

A natureza, livre das tragédias psíquicas típicas do ser humano, flui com leveza.

Simplificar é a palavra de ordem. Manter simples, o caminho para conquista dos novos patamares que os aguardam.

Meu abraço apertado,

General

Blocos de tempo

A última coisa que pode derrubar você do bloco de tempo e não conseguir liberar a mente. Dia sim, dia não, o maior desafio a ser superado pode ser sua própria necessidade de fazer outras coisas em vez de sua “única coisa”. A vida não se simplifica no momento em que você simplifica o seu foco; a sempre outras coisas gritando para serem feitas. Sempre. Então, quando as coisas pipocarem na sua mente, apenas escrevo uma lista de tarefas e volte ao que deveria estar fazendo. Em outras palavras, engane sua mente. Depois tire a folha do caminho e da sua cabeça até que chegue a hora de fazer essas coisas.

Keller, Gary; Papasan, Jay. A única coisa. Novo Século Editora, Barueri, 2014, p. 156.

Fluxo de capital e pensamento

E aqui vai a condição primária para o sucesso, o grande segredo: concentre sua energia, seu pensamento e seu capital exclusivamente no negócio que você está engajado. Tendo escolhido uma linha, descida lutar para reproduzir essa linha, para ser o melhor nela, adote cada melhoramento, tenha o melhor maquinário e saiba o máximo sobre ela. As firmas que falham são as que espalham o seu capital, o que significa espalhar também a sua mente. Investem nisso, naquilo, ou em outro, aqui, lá, em todo lugar. O ditado “não coloque todos os ovos numa única sexta” está errado. Eu digo: “coloque todos os ovos numa única sexta; depois fica de olho nela”. Olha o redor e ficar atento; homens que fazem isso não costumam fracassar. É fácil cuidar de uma cesta e carregá-la. É carregando sextas demais que muitos ovos são quebrados neste país.

Andrew Carnegie citado por Keller, Gary; Papasan, Jay. A única coisa. Novo Século Editora, Barueri, 2014, p. 96.

Mistérios profundos

A partir do vazio que se encontra além de todos os vazios, desenvolvem-se as emanações que, semelhantes as plantas e misteriosas sustentam o mundo. (…) Uma tal série sugere a profundidade além da profundidade do mistério do ser (…) Eles enumera os extratos espirituais conhecidos pela mente introvertida na meditação. Representam o fato de a noite escura da alma não ter fim.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 267.

Muito além do que se vê

(…) O verdadeiro ser não está nas formas, mas o sonhador.

Tal como no sonho, as imagens variam do sublime ao ridículo. Não é permitida a mente a permanência de suas avaliações normais; a mente insultada de modo contínuo e afastada da segurança que ele permite dizer que agora, finalmente, entendeu. A mitologia é derrotada quando a mente se mantém pegada, de forma solene, a suas imagens favoritas ou tradicionais, defendendo-as como se fossem elas mesmas a mensagem que comunicam. Essas imagens devem ser consideradas como meras sombras emanadas do plano que se acha além do penetrável, no domínio que os olhos, a fala, a mente ou mesmo a piedade não alcançam. Tal como ocorre no sonho, as trivialidades do mito são intensamente significativas.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 264.

A Força e o Ser

Por conseguinte, para perceber o pleno valor de que se revestem de figuras mitológicas esperou até nós, faz-se necessário compreender que elas não são, tão-somente, sintomas do inconsciente (como o são efetivamente todos os pensamentos e atos humanos), Mas também declarações controladas e internacionais de determinados princípios de cunho espiritual, que permaneceram constantes ao longo do curso da história humana, como a forma e a estrutura nevrálgica da própria psique humana. .Em termos sucintos: a doutrina universal ensina que todas as estruturas visíveis do mundo – todas as coisas e seres – são o efetivo de uma força ubíqua de que emergem, força essa que o sustenta e preenche no decorrer do período de sua manifestação e para a qual eles devem retornar quando de sua dissolução última. Trata-se da força que a ciência conhece como energia, os melanésios os como Mana, os índios sioux como Wakonda, os hindus como Shakti e os cristãos como poder de Deus. Sua manifestação na psique que é denominada, na psicanálise, libido. E sua manifestação no cosmo constitui a estrutura e o fluxo do próprio universo.

A apreensão da fonte desse substrato do ser, indiferenciado e, não obstante, particularizado nos quatro cantos do mundo, é frustrada pelos próprios órgãos por meio dos quais deve ser realizada. As formas de sensibilidade e as categorias do pensamento humano, elas mesmas manifestações dessa força, limitam a mente no grau tão considerável, que normalmente é impossível, não apenas vir, como também conceber, além do colorido, fluido, infinitamente variegado e deslumbrante espetáculo fenomênico. A função do ritual e do mito consiste em possibilitar e por conseguinte facilitar, o salto – por analogia. Formas e conceitos que a mente seus sentidos podem compreender são apresentados e organizados de um modo capaz de sugerir uma verdade uma abertura que se encontram mais além.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 255.

A virtude do mestre

A liberdade de ir e vir pela linha que divide os mundos, de passar da perspectiva da aparição do tempo para a perspectiva do profundo causal e vice-versa – que não contamina os princípios de uma com os da outra e, no entanto, permite a mente o conhecimento de uma delas em virtude do conhecimento da outra – é o talento do mestre.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 225.

25.000 anos atrás

A primeira forma de magia foi talvez a variedade simpática. Coisas parecidas tinham efeitos parecidos, prensava-se; semelhante atrai semelhante. Se fizessem uma estatueta de um bisão em argila e de tamanho natural e ela fosse “atacada” e “morta”, então  a caá a um bisão de verdade também terminaria na morte do animal.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 30.

Cerimônia do Chá e o Sermão do Inanimado

(…) a textura da vida japonesa tronou-se tão imbuída de uma formalização significativa, que a existência do mínimo detalhe era uma expressão consciente da eternidade, sendo a própria paisagem um santuário. Da mesma forma, por todo o Oriente, por todo o mundo antigo e nas Américas pré-colombianas, a sociedade e a natureza representavam, para a mente, o inexprimível. “As plantas, as rochas, o fogo e a água estão vivos. Eles nos observam e vêem nossas necessidades. Eles vêem quando nada temos para nos proteger”, declarou um velho contador de histórias apache, “e é este o momento em que se revelam a si mesmos e se dirigem a nós”. Eis o que o budista denomina “sermão do inanimado”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 160-161