A cultura tem sua origem na comunidade

“A cultura tem sua origem na comunidade. Ela transmite valores simbólicos que compõem uma comunidade. Quanto mais a cultura se torna uma mercadoria, mais ela se afasta de sua origem. A comercialização total e a mercantilização da cultura resultam na destruição da comunidade. A “comunidade” frequentemente invocada nas plataformas digitais é uma forma de comunidade comoditizada. A comunidade como mercadoria é o seu fim.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 340.

Da posse à vivência

Os followers

“Os followers participam, assim, de uma eucaristia digital. Mídias sociais se assemelham a uma igreja: Like é amém. Compartilhar é comunicação. Consumo é redenção. A repetição como dramaturgia do influencer não leva ao tédio e à rotina. Ao contrário, dá ao todo o caráter de uma liturgia. Ao mesmo tempo, os influenciadores deixam aparecer produtos de consumo como utensílios de autorrealização. Desse modo, consumimo-nos até a morte, enquanto nos realizamos para a morte. Consumo e identidade se tornam a mesma coisa. A identidade é, ela própria, uma mercadoria.

No regime de informação, ser livre não significa agir, mas clicar, curtir e postar. Não surge, assim, nenhuma resistência.”

HAN, Byung-Chul. Infocracia: Digitalização e a crise da democracia. Ed. Vozes, 2022, Local 137-146.

Regime de Informação