Transição da era das coisas

“A ordem terrena, a ordem da Terra, consiste em coisas que assumem uma forma duradoura e formam um ambiente estável para constituir morada. Elas são aquelas “coisas do mundo”, no sentido de Hannah Arendt, às quais se atribui a tarefa de “estabilizar a vida humana”. Elas lhe dão uma sustentação. Hoje, a ordem terrena está sendo substituída pela ordem digital. A ordem digital descoisifica o mundo ao informatizá-lo.

Vilém Flusser observou: “As não-coisas estão atualmente invadindo nosso ambiente de todos os lados, e estão suplantando as coisas. Essas não-coisas são chamadas de informação”.

Hoje nos encontramos em uma transição da era das coisas para a era das não-coisas. Não as coisas, mas as informações determinam o mundo da vida. Nós não habitamos mais a terra e o céu, mas o Google Earth e Cloud.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 78-83.

Da coisa à não-coisa

A ordem digital

“A ordem digital não conhece nenhum fundamento indisponível do ser. Seu lema enuncia: ser é informação. A informação o torna inteiramente disponível. Se tudo é rapidamente disponibilizável e consumível, não se forma nenhuma atenção profunda, contemplativa. O olhar vagueia ao redor, como o olhar de um caçador. Perde-se, assim, qualquer ponto de referência sobressaliente no qual podemos nos demorar. Tudo é aplainado e submetido a necessidades de curto prazo.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 677.

Da ação ao ser