Cerimônia do Chá e o Sermão do Inanimado

(…) a textura da vida japonesa tronou-se tão imbuída de uma formalização significativa, que a existência do mínimo detalhe era uma expressão consciente da eternidade, sendo a própria paisagem um santuário. Da mesma forma, por todo o Oriente, por todo o mundo antigo e nas Américas pré-colombianas, a sociedade e a natureza representavam, para a mente, o inexprimível. “As plantas, as rochas, o fogo e a água estão vivos. Eles nos observam e vêem nossas necessidades. Eles vêem quando nada temos para nos proteger”, declarou um velho contador de histórias apache, “e é este o momento em que se revelam a si mesmos e se dirigem a nós”. Eis o que o budista denomina “sermão do inanimado”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 160-161

Templos

Em geral, esses templos são projetos para simular as quatro direções do horizonte do mundo; o santuário ou altar, colocado no centro, simboliza o Ponto Inextinguível. Aquele que penetra no complexo do tempo e se encaminha para o santuário imita a façanha do herói. Seu objetivo é repetir o padrão universal, como forma de evocar, dentro de si mesmo, a lembrança da forma de convergência e renovação da vida.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 47.