Independência da existência dos seres humanos

“Os rituais são na vida o que as coisas são no espaço. Para Hannah Arendt, é a conservação [Haltbarkeit] das coisas que outorga a elas uma “independência da existência dos seres humanos”. As coisas têm “a tarefa de estabilizar a vida humana”. Sua objetividade consiste em que “apresentem uma mesmidade humana […] à modificação torrencial da vida natural”, ou seja, apresentam uma identidade estabilizante “derivada do fato de que são a mesma cadeira e a mesma mesa que aguardam, com familiaridade permanente, os humanos que se modificam a cada dia”. As coisas são refúgios estabilizadores da vida. Os rituais têm a mesma função. Pela sua mesmidade, sua repetição, estabilizam a vida. Tornam a vida suportável [haltbar]. A coação atual de produção toma das coisas sua conservação. Ela destrói deliberadamente a duração com o intuito de produzir mais e de forçar mais o consumo. A permanência, contudo, pressupõe coisas que durem.

(…) conteúdos midiáticos, que apreendem nossa atenção, são qualquer outra coisa do que conteúdos propriamente ditos. Sua alternância rápida não nos permite permanecer.”

HAN, Byung-Chul.O desaparecimento dos rituais: Uma topologia do presente. Ed. Vozes, 2021, Local 67-79.

Coação de produção

Era trans e pós-humano

“Estamos caminhando para uma era trans e pós-humana na qual a vida humana será um puro intercâmbio de informações. O ser humano está descartando sua condicionalidade, sua facticidade, que, no entanto, é o que faz dele o que ele é. Humano remete a húmus, ou seja, à terra.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 1146.

A mão de Heidegger