Dilema entre vita contemplativa e vita activa

“O dilema entre vita contemplativa e vita activa se resume a uma escolha entre duas perspectivas igualmente pouco atraentes. Quanto mais os valores preservados no pensamento forem protegidos da poluição, menos significativos serão para a vida daqueles a quem devem servir. Quanto maiores seus efeitos nessa vida, menos essa vida reformada fará lembrar os valores que induziram e inspiraram a reforma.”

BAUMAN, Zygmunt.Modernidade líquida, Ed. Zahar, Local: 822.

Capítulo 1 | Emancipação

A teoria crítica revisitada

A vida livre vibra em si mesma

“Na festa, a vida se relaciona consigo mesma, em vez de perseguir objetivos fora de si própria. Ela desarma a ação. É por isso que no sabá todas as atividades direcionadas a objetivos são interditadas. A vida que, livre de qualquer finalidade, vibra em si mesma, constitui o repouso festivo.

(…)

A vita activa sem a vita contemplativa é cega.

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 1394-1435.

O Pathos da ação

Aprender a ver

“A vita contemplativa pressupõe uma pedagogia específica do ver.

Aprender a ver significa “habituar o olho ao descanso, à paciência, ao deixar-aproximar-se-de-si”, isto é, capacitar o olho a uma atenção profunda e contemplativa, a um olhar demorado e lento.”

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Ed. Vozes, 2022, Local 409-412.

5| Pedagogia do ver

Demorar-se contemplativo

“Com o título Vita contemplativa não deveria ser reconjurado aquele mundo no qual esta estava alocada originariamente. Ela está ligada com aquela experiência de ser, segundo a qual o belo e o perfeito é imutável e imperecível e se retrai a todo e qualquer lançar mão humano. Seu humor de fundo é o espanto a respeito do ser-assim das coisas, afastado de toda e qualquer exequibilidade e processualidade. A dúvida moderna cartesiana dissolve o espanto. A capacidade contemplativa não está necessariamente ligada ao ser imperecível. Justamente o oscilante, o inaparente ou o fugidio só se abrem a uma atenção profunda, contemplativa. Só o demorar-se contemplativo tem acesso também ao longo fôlego, ao lento. Formas ou estados de duração escapam à hiperatividade.”

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Ed. Vozes, 2022, Local 272.

3 | O tédio profundo