Uma base indestrutível

“Talvez este sonho dê uma ideia de por que nós, da escola junguiana, somos céticos com relação à terapia em grupo. Esse sonho mostra que o principal processo do desenvolvimento interior se dá entre o ego e o Si-mesmo, ou, usando uma linguagem desusada, na imagem de Deus dentro de nós. As outras pessoas e suas opiniões não têm o que fazer ali. O processo chega inclusive a um ponto em que até o analista da pessoa é demais. Em última análise, como salienta Jung, a pessoa tem de “estar sozinha para poder encontrar o que a sustenta quando ela já não consegue se sustentar. Somente essa experiência pode lhe dar uma base indestrutível.”

Essa atitude não tem nenhuma relacão com o narcisismo ou com o individualismo egoístico. Esses nada mais são do que uma preocupação da parte do ego com “o querido ego”, não o Si-mesmo, que é, enfim, um mistério interior do indivíduo. (…) Do mesmo modo, Jung admitiu que sua posição era unilateral. Na verdade, o caminho extrovertido da adaptação social e o caminho introvertido do relacionamento com o Si-mesmo constituem um par de opostos complementares, ambos justificados e, no entanto, ao mesmo tempo mutuamente exclusivos.”

FRANZ, Marie-Louise von.Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 28-29.

A autorealização na terapia individual de C.G. Jung

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostei e vejo sentido em compartlhar essa ideiA

Facebook
Twitter
Pinterest

QUER MAIS?

Mão de Deus

“Vistos pelo aspecto do simbolismo numérico, o três e o triângulo são masculinos-dinâmicos, ao passo

Leia mais

O Si-mesmo

“A propósito, talvez valha a pena observar que as pirâmides efetivamente exibem estranhas propriedades físicas

Leia mais