A volta de Laura

Não só minha mãe se preparava para regressar aos círculos terrenos. Também a senhora Laura encontrava-se
em vésperas do grande cometimento.

— Espero, entretanto, que se encontre animada para a luta. É uma glória seguir para o mundo, nas suas condições. Milhares e milhares de horas de serviço a seu favor, perante a comunidade de mais de um milhão de companheiros. Além disso, os filhinhos constituirão seu belo estímulo à retaguarda.

— Tudo isso me reconforta — exclamou a dona da casa, sem disfarçar a preocupação íntima —, mas devemos compreender que a reencarnação é sempre uma tentativa de magna importância.

Ora essa! Não se deixe levar por conjeturas — atalhou o ministro Genésio —, precisamos confiar na Proteção divina e em nós mesmos. O manancial da Providência é inesgotável. É preciso quebrar os óculos escuros que nos apresentam a paisagem física como exílio amarguroso. Não pense em possibilidades de fracasso; mentalize, sim, as probabilidades de êxito. Além do mais, é justo confiar alguma coisa em nós outros, seus amigos, que não estaremos tão longe, no tocante à “distância vibratória”. Pense na alegria de auxiliar antigas afeições, pondere na glória imensa de ser útil.

— Aqui — tornou a interlocutora sensatamente —, contamos com as vibrações espirituais da maioria dos habitantes educados, na Terra, porém, nossa boa intenção é como se fora bruxuleante luz num mar imenso de forças agressivas.

— Não diga isso — atalhou o generoso ministro —,
não dê tamanha importância às influências das zonas inferiores. Seria armar o inimigo para que nos torturasse.
O campo das ideias é igualmente campo de luta. Toda luz
que acendermos, de fato, na Terra, lá ficará para sempre, porque
A VENTANIA DAS PAIXÕES HUMANAS JAMAIS APAGARÁ UMA SÓ DAS LUZES DE DEUS.

— Dentro do nosso mundo individual,
CADA IDEIA É COMO SE FORA UMA ENTIDADE À PARTE… É necessário pensar nisso. Nutrindo os elementos do bem, progredirão eles para nossa felicidade, constituirão nossos exércitos de defesa; todavia, alimentar quaisquer elementos do mal é construir base segura para os nossos próprios verdugos.

— Amanhã à noite, André, espero igualmente por você.
Faremos pequena reunião íntima. O Ministério da Comunicação prometeu-nos a visita de meu esposo.
Embora se encontre nos laços físicos, Ricardo será trazido até aqui, com o auxílio fraternal de companheiros nossos. Além disso, amanhã estarei a despedir-me. Não falte.

 

XAVIER, Francisco Cândido / André Luiz. Nosso Lar. 1. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1944. Edição Kindle.

CAPÍTULO 47 | A VOLTA DE LAURA

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