“Nukariya tem razão, portanto, ao afirmar que toda tentativa de explicar ou analisar o conteúdo do zen ou iluminação seria inútil. Mas ainda assim, esse autor ousa dizer que a iluminação comporta uma percepção da natureza do si-mesmo e é uma emancipação da consciência em relação à ilusória concepção do si-mesmo. A ilusão referente à natureza do si-mesmo é a habitual confusão que se faz entre o eu e o si-mesmo. Pelo termo “si-mesmo” Nukarıya compreende Buda total, isto é, a totalidade pura e simples da consciência da vida.
Qualquer que seja a definição do si-mesmo, ele é algo que difere do eu. E desde que uma compreensão mais elevada do eu nos conduz ao si-mesmo, este último deve ser algo de maior e mais amplo que engloba a experiência do eu e, por isso mesmo, ultrapassa-o. Da mesma forma que o eu é uma certa experiência do meu próprio ser, assim também o si-mesmo é uma experiência de mim próprio, a qual, entretanto, já não é vivida sob a forma de um eu mais amplo ou mais alto, e sim sob a forma de um não eu.”
JUNG, C.G. Psicologia e Religião Oriental,OC. Editora Vozes. 2011. Pág. 81-82.
Prefácio à obra de Suzuki: A Grande Libertação

