“De certa forma, ela abraçou a função pensamento, mas o fez de uma forma já estabelecida. O mesmo pode ser feito com relação à psicologia junguiana, através da repetição memorizada e mecânica dos conceitos, sem, porém, nunca trabalhar o ponto de vista pessoal. Trata-se de uma atitude de discípulo, não criativa, que apenas assimila o sistema, sem o analisar e sem nunca perguntar: “O que eu penso a respeito? Isso realmente me convence? Coincide com os fatos que verifiquei? Posso assimilá-lo com minha convicção? Coincide com as minhas experiências internas? Em vez disso, o sistema é indiscriminadamente assimilado, de modo que, se essas pessoas depois encontram outras que sabem como pensar – do tipo pensamento, por exemplo -, elas se tornam fanáticas, porque se sentem impotentes. Então lutam pelo sistema que escolheram com certo fanatismo apostolar, por se sentirem inseguras com relacão à base do sistema de pensamento: como o sistema se desenvolveu, seus conceitos fundamentais, e assim por diante; e, por se sentirem inseguras e acharem que o sistema poderia ser derrubado adotam uma atitude agressiva.
(…)
O pensamento inferior do tipo sentimento extrovertido possui, portanto, uma maneira muito desagradável de secretamente fazer com que nos sintamos pouco à vontade. O tipo sentimento gosta – inconscientemente – de estragar a festa dos que lhe estão próximos com seus secretos pensamentos negativos. Há uma espécie de ceticismo capaz de exercer um efeito repressor sobre as outras pessoas. Se nos envolvermos em uma discussão com pensamento negativo de um tipo sentimento extrovertido, veremos que, em geral, ele tira conclusões rápido demais, o que de monstra que não foi ao fundo da questão.”
FRANZ, Marie-Louise von.Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 142-144.
O pensamento inferior do tipo sentimento extrovertido
