“No Instituto Jung, somos, de certa maneira, um grupo muito mais desagradável e de dificil convivência do que, digamos, uma sociedade voltada para reproducão de cães ou de lebres, ou um clube de pescadores, porque neles o contato social situa-se, de modo geral, em um nível muito melhor. Essa acusação tem sido feita não apenas ao Clube de Psicologiam como também ao Instituto. Mas a verdade é que simplesmente tendemos a não ocultar o que está acontecendo debaixo da superficie. Em todas as outras sociedades ou grupos de pessoas, isso é encoberto e funciona às escondidas; todas essas dificuldades existem, mas nunca são trazidas a tona e discutidas abertamente. Porém, naturalmente enfrentar a sombra e a funcão inferior tem o efeito de fazder com que as pessoas se tornem socialmente mais dificeis e menos convencionalmente adaptadas, o que gera mais atritos. Por outro lado, isso também gera uma maior animação: nada é maçante, pois sempre existe uma tempestade em copo d’água e algum rebulico, e o grupo se torna extremamente ativo, em vez de ter uma superficie monótona, convencional e correta.
(…) a funcão inferior é, na verdade, a ligacão com nossos instintos mais profundos, com nossas raizes internas, e é, por assim dizer, o que nos liga a todo o passado da humanidade.
(…) Assim, diria que a única maneira de nos relacionar- mos no nível da função inferior é através do que Jung chama de cortesia da selva.”
FRANZ, Marie-Louise von.Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 157-161.
O relacionamento da função inferior com outros conteúdos do inconsciente
