“A questão é que nós “explicamos” o inconsciente com a ajuda de símbolos e conceitos derivados da mesma base primordial – ignotum per ignotius, como dizem os alquimistas e Jung repetidamente salienta. As imagens simbólicas que surgem do inconsciente, por sua própria natureza, referem-se a um material que é essencialmen-te inconsciente e, por conseguinte, “toda interpretação permanece um como-se”. Cada interpretação é apenas uma “descrição e caracterização aproximada de uma se-mente de significado inconsciente”, sendo assim uma “nova vestimenta do mito”. Mas esse processo precisa ser levado adiante, a fim de manter a consciência cultu-ral em contato com a base instintiva do inconsciente.”
Nota * ignotum per ignotius: “o desconhecido pelo mais desconhecido”.
(…)
O que está faltando é uma estrutura concreta e o ponto de Arquimedes extrínseco ao sistema simbólico. Essa estrutura só pode ser o ser humano, pois é a partir da psique dele que surgem os símbolos. Por conseguinte, parece-me que a pesquisa dos símbolos que desconsidera a psicologia do inconsciente é um empreendimento sem sentido.
(…)
Não obstante, quando temos a ameaça de uma inundação do inconsciente, os conteúdos deste último, como nos diz o relato do sonho, devem ser dirigidos para a “cidade de Roma”, ou seja, para um centro interno religioso. A ideia não é que o ego desfrute o êxtase dessa experiência vinda das profundezas, e sim que um centro interno, o Si-mesmo, seja vivificado por ela.”
FRANZ, Marie-Louise von. Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 259-261.
A atitude religiosa ou mágica diante do inconsciente
