“Outro segmento que também contribuiu para a construção da nossa religião foi o Espiritismo ou, popularmente falando, o “Kardecismo”. Ainda na década de 1900, o Espiritismo era francês e muito ortodoxo. Nesse período, Chico Xavier ainda não havia transformado a perspectiva da prática do Espiritismo no Brasil. Na prática, as regras da doutrina eram europeias, não era qualquer espírito que podia ir à mesa. Os critérios para um espírito se manifestar no centro espírita eram elevados. Eles precisavam ter diploma, falar diversas línguas, ter uma história humana incrível e famosa.
Consequentemente, escravizados, indígenas, periféricos, sertanejos, baianos e outras linhas de Entidades nada tinham para acrescentar a esse ambiente, de acordo com os espíritas da época. Por isso, eles eram expulsos assim que incorporavam, não tinham a oportunidade de conversar e ajudar as pessoas. É importante ressaltar o período do qual estamos falando, quando o Espiritismo não tinha essa aura de amor, caridade e acolhimento. A religião estava ligada a Allan Kardec. Mesmo assim, a interpretação e classificação da mediunidade e fenômenos correlatos influenciaram a forma como entendemos a manifestação dos espíritos nos terreiros.”
QUEIROZ, Rodrigo.Umbanda para iniciantes.Porto Alegre: Citadel, 2023, pág. 86-87.

