“O tema do hierosgamos é, como Jung o expressou em outra ocasião, o mistério da individuação mútua, “porque nada pode ser concluído sem amor, porque o amor nos coloca em um estado mental no qual estamos prontos a arriscar qualquer coisa sem refrear qualquer coisa importante”. Somente desse modo um encontro com o Si-mesmo é possível. É por isso que Jung chamava a figura do Si-mesmo que ele pintou em Bollingen, Filemon, “o amoroso”.
O anseio de nos tornarmos completos é o mais forte impulso no ser humano, e é o que realmente está oculto atrás da paixão mais profunda da transferência. No final da vida, Jung admitiu:
Vacilo diante da tarefa de encontrar uma linguagem capaz de adequadamente expressar os incalculáveis paradoxos do amor. Eros é um kosmogonos, um criador e pai-mãe de toda… consciência… Aí se encontra o mais remoto e o mais próximo, o mais elevado e o mais baixo, e não podemos discutir um lado sem discutir o outro… Se ele (o homem) possuir um grão de sabedoria, baixará os braços e chamará o desconhecido pelo mais desconhecido, ignotum per ignotius — ou seja, pelo nome de Deus.
FRANZ, Marie-Louise von. Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 306.
Alguns aspectos da transferência
