Imagem religiosa da divindade,

“Na imagem religiosa da divindade, ou seja, o Si-mesmo, os opostos coexistem; entretanto, não estão conscientemente unificados. Isso só pode ocorrer nas pessoas conscientes nas quais os dois lados do Si-mesmo, o bem e o mal, estão trabalhando na direção da encarnação. Na forma encarnada, ambos os lados são diminuídos e humanizados, e, assim, através da ação da consciência humana, eles são capazes de se relacionarem. O autoconhecimento, ou o desenvolvimento da consciência, é, portanto, o fator-chave.

(…)

(…) as produções do inconsciente estão relacionadas com algo muito mais profundo, uma unio mystica (união mística) com o Si-mesmo, que é vivenciada como uma unificação dos opostos cósmicos. Isso está relacionado com o relacionamento entre o homem e a mulher, já que todos os relacionamentos amorosos sérios do tipo mais profundo servem, em última análise, à mútua individuação, o processo através do qual cada parceiro se torna completo. Esse também é, claramente, o significado do matrimônio tomado como sacramento. Todavia, isso é algo que não é constatado apenas no casamento, mas em qualquer relacionamento amoroso que seja aceito como um compromisso.”

FRANZ
, Marie-Louise von. Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 242-243.

A dimensão religiosa da análise

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