“(…) Ao pôr do sol, as Montanhas de Prata já tinham ficado para trás, e cavalo e cavaleiro pararam outra vez para descansar. Durante essa noite, Atreiú sonhou com búfalos cor de púrpura. Via-os ao longe, no Mar das Ervas, e tentava aproximar-se deles, montado em seu cavalo. Mas em vão. Eles permaneciam sempre à mesma distância, por mais que esporeasse o animal.
(…)
Na noite seguinte, Atreiu sonhou que a manada de búfalos cor de púrpura passava junto dele. Viu um dos animais, um grande macho de aspecto majestoso, aproximar-se lentamente dele, sem dar mostras de medo ou cólera. Tal como todos os verdadeiros caçadores, Atreiu tinha o dom de ver imediatamente em todas as criaturas o ponto ideal onde as devia atingir para abatê-las. O búfalo cor de púrpura colocou-se na posição de um alvo perfeito. Atreiu colocou a seta no arco e esticou a corda com toda a força… mas não foi capaz de atirar. Seus dedos estavam colados à corda do arco e ele não era capaz de os libertar.
(…) O amuleto de ouro, que trazia ao pescoço, era respeitado por todas as criaturas que encontrava, mas ninguém sabia dar respostas às suas perguntas.
(….) Atravessou o Vasto Planalto dos Sassafrates, que nascem velhos e morrem quando chegam à idade de bebês.”
ENDE, Michael. A História sem fim.São Paulo: Martins Fontes, 2022, pág. 56-57.
