“Num tratado atribuído a Zósimo, mas que deve pertencer ao gênero literário árabe-latino, diz-se, de modo inequívoco, acerca do Lapis (pedra): “E assim ela procede do homem, e tu és sua matéria-prima, encontra-se em ti, é extraída de ti e permanece inseparavelmente unida a ti”. Mas é Stephanus de Alexandria que o diz de modo claro:
Estuda para ver em que consistes
E verás então o que existe
O que estudas, aprendes e és
Nisso justamente tu consistes
Tudo o que há fora de nós
Há também dentro de nós. Amém.
E Gerardus Dorneus exclama: “Transformai-vos em pedras filosofais vivas!” Praticamente não há dúvida de que não poucos dentre os que buscavam, se convenceram de que a natureza secreta da pedra é o “si-mesmo” (Selbst) humano. É evidente que esse “si-mesmo” jamais foi concebido como uma essência idêntica ao eu, por isso mesmo foi descrito no começo como uma “natureza oculta” até mesmo na matéria inanimada, como um espírito, um “demônio” ou uma centelha. Mediante a operação filosófica, concebida em sua maior parte como operação mental (meditatio), esse ser foi libertado das trevas e do sofrimento para encontrar finalmente uma ressurreição (…)
Nota*: Rosinus ad Sarratantam, em Artis Auriferae, II, p. 311: “et liberet te homine, et tuus ille spiritus, et de te extrahitur… et in te inseparabiliter manet.”
JUNG, C.G. Psicologia e Religião.Psicologia e Religião Ocidental e Oriental ,OC. Editora Vozes. 2012. Pág.117.
III. História e psicologia de um símbolo natural
