“É de notar-se como este símbolo representa um acontecimento natural e espontâneo, e como constitui sempre e declaradamente uma criação do inconsciente, tal como nos mostra com clareza o sonho em questão. Se quisermos saber o que acontece quando a idéia de Deus não se acha mais projetada como realidade autônoma, a resposta é esta: o inconsciente cria a idéia de um homem deificado ou divino, encarcerado, escondido, protegido, quase sempre privado de sua personalidade e representado por um símbolo abstrato. Os símbolos contêm freqüentemente alusões à representação medieval do microcosmo, como, por exemplo, o relógio do universo de meu paciente. Muitos dos processos que nos conduzem até ao mandala, e inclusive este último, parecem continuações diretas da especulação medieval. É como se as pessoas tivessem lido aqueles velhos tratados acerca da pedra filosofal, da água divina, da rotundidade, da quadratura das quatro cores etc. E, no entanto, elas jamais tiveram contato com esta filosofia e seu obscuro simbolismo.”
JUNG, C.G. Psicologia e Religião.Psicologia e Religião Ocidental e Oriental ,OC. Editora Vozes. 2012. Pág.119-120.
III. História e psicologia de um símbolo natural
