Consciência dos opostos

O “Muro do Paraíso”, que oculta Deus das vistas humanas, é descrito por Nicolau de Cusa como constituído pela “consciência dos opostos”, sendo seu portão guardado pelo “mais alto espírito da razão, que impede a passagem enquanto não for superado”. Os pares de opostos (ser e não-ser, vida e morte, beleza e feiúra, bem e mal, e todas as outras polaridades que ligam as faculdades à esperança e ao temor e que vinculam os órgãos de ação a tarefas de defesa e aquisição) são as rochas em colisão (Simplégades), que esmagam os viajantes, mas pelas quais os heróis sempre passam.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 90.

Criatividade

A introversão voluntária, na realidade, é uma das marcas clássicas do gênio criador e pode ser empregada deliberadamente. Ela impulsiona as energias psíquicas para as camadas profundas e ativa o continente perdido das imagens inconscientes infantis e arquetípicas. O resultado, com efeito, pode ser uma desintegração mais ou menos completa da consciência (neurose, psicose …); mas por outro lado, se a personalidade for capaz de absorver e integrar as novas forças, experimentará um grau quase sobre-humano de autoconsciência e de autocontrole superiores.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 70-71.