O capitalismo não é narrativo

“A religião cristã é marcadamente narrativa. Feriados como a Páscoa, o Pentecostes e o Natal são o apogeu narrativo no interior do todo da narrativa, orientando e promovendo sentido. Cada dia contém uma tensão narrativa, uma significação de toda narrativa. O próprio tempo se torna narrativo, ou seja, significativo. O capitalismo não é narrativo. Não conta nenhuma história. Apenas conta números. Tira do tempo tal significação. É profanado em tempo de trabalho. E os dias ficam todos iguais.

Peregrinos e turistas pertencem na realidade a dois regimes bem diferentes. Turistas viajam por não-lugares sem sentido, enquanto os peregrinos em lugares vinculantes que reúnem e conectam as pessoas.”

HAN, Byung-Chul.O desaparecimento dos rituais: Uma topologia do presente. Ed. Vozes, 2021, Local 645-653.

Festa e Religião

O sagrado é um evento de silêncio

“O sagrado é um evento de silêncio. Isso nos faz ouvir: “Myein, consagrar, representa etimologicamente ‘fechar’ – os olhos, mas acima de tudo a boca. No início dos ritos sagrados, o arauto ‘ordenava’ ‘silêncio’ (epitattei ten siopen)”142. Vivemos hoje em um tempo sem consagração.

A hipercomunicação, o barulho da comunicação desconsagra e profana o mundo. Ninguém escuta. Todos se produzem a si mesmos. O silêncio não produz nada. É por isso que o capitalismo não ama o silêncio.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 1289-1293.

Silêncio

Capitalismo Chamado à Evolução

“Que o capitalismo, visando à própria tranquilidade coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do saneamento e do trabalho, em favor da concórdia universal.”

Xavier, Francisco Cândido / Humberto de Campos. Brasil: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Federação Espírita Brasileira, Brasília, 1938, p. 168.

(…)

Comparar pauta com a Pirâmide de Maslow: