Sabemos com quem marchamos

Tudo tem o seu tempo, uma fração do ciclo que se encadeia e se contém dentro de outro ciclo. A vida é cheia de começos e fins. Todos os fins são começos e todos os começos são fins. Nisto habita o mistério da serenidade, a doce sinfonia que embala o coração dos mansos e humildes.

Hospedes peregrinos do universo, os seres humanos terrestres ainda hão de contemplar as belezas da realidade superior, assim como os que os precederam já o fazem.

Serenidade, coerência e consistência ao longo do tempo. Sempre.

Acolhe a turma como quem acolhe amigos. Seja por eles acolhido, na naturalidade que te cabe. Hoje é dia de afinar instrumentos enrijecidos pelo tempo. Na canção do amor e da fraternidade, todos nos encontramos em um só tom e uma só voz.

Avancemos e que nada nos possa deter, pois sabemos por quem e com quem marchamos.

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A Mulher Cósmica

Quando a figura de Herodes (o símbolo extremo do ego desgovernado e insistente) leva a humanidade ao nadir da degradação espiritual, as forças ocultas do ciclo começam a mover-se por si mesmas. Numa cidadezinha remota, nasce a donzela que se manterá imaculada dos erros comuns de sua geração: uma miniatura, no meio dos homens, da Mulher Cósmica que desposou o vento. Seu ventre, vazio como o abismo primordial, chama para si, graças a sua própria disponibilidade, o poder original que fertilizou vazio.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 299.