A digitalização destrói as memórias

“Sim, as coisas tornam o tempo tangível, enquanto os rituais o tornam transitável. O papel amarelado e seu cheiro me aquecem o coração. A digitalização destrói as memórias e os toques.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 1555.

Um excurso sobre o Jukebox

Jukebox

“Quando estou na frente do jukebox ou toco o piano de cauda, penso para comigo mesmo: para a felicidade, precisamos de uma contraparte imponente que se sobreponha a nós. A digitalização elimina todas as contrapartidas, todas as oposições. Como resultado, perdemos o sentimento pelo que nos sustém, pelo que nos sobrepõe, pelo que nos eleva em geral.”

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 1464.

Um excurso sobre o Jukebox

A atual informatização e digitalização

“A atual informatização e digitalização do mundo levam a profanação ao extremo. Tudo toma a forma de dados e se torna calculável. Informações não são narrativas, mas aditivas. Elas não se condensam em uma narrativa, em um romance. A técnica digital se baseia em um cálculo binário. Digital se diz, em francês, numérique; ou seja, numérico. O calcular é diametralmente oposto ao narrar. Números não narram. Eles habitam o ponto zero do sentido.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023,, Local 1696.

A sociedade que vem

A informatização do mundo

“A digitalização e a informatização do mundo fragmentam o tempo e tornam a vida radicalmente efêmera. O ser tem uma dimensão temporal. Ele cresce longa e lentamente. O curto-prazo atual o desmonta. O ser só se condensa no demorar-se. É, porém, impossível demorar-se em informações. Informações representam o estágio absoluto da perda do ser.

Informações têm um nível de atualidade muito escasso. Elas vivem do estímulo da surpresa e nos deixam em uma vertigem de atualidade.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 891-897.

A Absoluta falta de ser