Renovação da Igreja Católica

Além disso, temos de considerar que a Igreja Católica se desviou da sua obra de salvação, por um determinismo histórico que a compeliu a colaborar com a política do mundo, em cujas teias perigosas a sua instituição ficou encarcerada e que, examinada a situação, não é possível desmontar-se a sua máquina de um dia para outro. Sabemos, porém, que a sua fase de renovação não está muito distante. Nas suas catedrais confortáveis e solitárias e nos seus conventos sombrios, novos inspirados da Umbría virão fundar os refúgios amenos da piedade cristã.

(…)

Xavier, Francisco Cândido / Humberto de Campos. Brasil: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Federação Espírita Brasileira, Brasília, 1938, p.162

Símbolo Dogmático

Doutor Jung observou, sabiamente: “a função incomparavelmente útil do símbolo dogmático [consiste no fato de ele] proteger a pessoa da experiência direta de Deus, já que ela não expõe si mesma de modo prejudicial. Mas se… A pessoa deixar a casa e a família, viver muito tempo isoladamente e observar de modo excessivo o espelho negro, então o formidável evento do encontro pode deitá-la por terra. No entanto, mesmo assim o símbolo tradicional, que vem a florescer em sua plenitude ao longo do séculos, pode operar como corrente de cura e desviar a fatal incursão do Deus vivo nos espaços tornados ocos da igreja.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 201-202

Fantasias familiares

É evidente que as fantasias infantis que todos ainda acalentamos no inconsciente surgem continuamente nos mitos, contos de fadas e nos ensinamentos da Igreja, como símbolos do ser indestrutível. Isso nos ajuda, pois a mente sente-se em casa com as imagens e parece lembrar-se de algo já conhecido. Mas essa circunstância também se configura como obstrução, já que os sentimentos terminam por se manter nos símbolos e resistem  apaixonadamente a todo esforço de ir além deles.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 166

Origem do Satanismo

Mas e quanto ao Satanismo? Os Bruxos eram chamados de adoradores do Diabo. Havia alguma verdade nisso? Não. Ainda que, como em todas as acusações, houvesse uma razão para essa crença. Em seu início, a Igreja era extremamente dura com seus seguidores. Ela não apenas determinava a forma pela qual os camponeses prestavam culto, mas também as formas pelas quais viviam e amavam. Franzia-se o cenho até mesmo para o intercurso sexual entre casais casados. Achava-se que não se devia ter nenhuma alegria no ato, permitido apenas para a procriação. O intercurso era ilegal nas quartas-feiras, nas sextas-feiras e nos domingos; pelos quarenta dias que antecediam o Natal pelo mesmo tempo antes da Páscoa; por três dias antes de receber a comunhão e da concepção até quarenta dias após o parto. Em outras palavras, somente em aproximadamente dois meses por ano podia-se ter relações sexuais com o cônjuge… mas sem sentir prazer com o ato, é claro!

Não há dúvidas de que tais coisas, juntamente com outras crueldades semelhantes, conduziram a uma rebelião – mesmo que clandestina. As pessoas – desta vez os cristãos -, ao descobrir que seu destino não melhorava quando rezavam ao chamado Deus de Amor, decidiam rezar para o seu adversário. Se Deus não iria ajudá-las, talvez o Diabo ajudasse. Assim surgiu o Satanismo. Uma paródia do Cristianismo, uma imitação dele. Tratava-se de uma revolta contra a rigidez da Igreja. Como se descobriu depois, o “Demônio” também não ajudava o pobre camponês. Mas, pelo menos assim, indo contra o estabelecido, ele demonstrava o seu desdém pelas autoridades.

Não levou muito tempo até que a “Santa Madre Igreja”percebesse essa rebelião. O Satanismo era anticristão. A Bruxaria também era – aos olhos da igreja – anticristã. Logo, Bruxaria e Satanismo eram uma coisa só.

Magia Simpática, Princípio de Correspondência e Inquisição

Num antigo ritual para a fertilidade, os camponeses iam para os campos, sob a luz da Lua cheia, e dançavam ao redor deles, montados em forcados, mastros e vassouras, cavalgando-os como cavalos de madeira. Eles deviam saltar no ar enquanto dançavam, para mostrar aos brotos a que altura deviam crescer. Uma forma inofensiva de magia simpática. A Igreja, no entanto, dizia não apenas que  eles estavam agindo contra as colheitas, mas que na verdade voavam em seus mastros… claramente um ato demoníaco.

Em 1484, o Papa Inocêncio VIII publicou sua Bula contra as Bruxas. Dois anos depois, dois infames monges alemães, Heinrich Institoris Kramer e Jakob Sprenger, produziram sua inacreditável antibruxaria, o Malleus Maleficarum [O Martelo das Feiticeiras]. Nesse livro, davam instruções específicas para a perseguição das Bruxas.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 39.

Deuses e Demônios

Costuma-se dizer que os deuses de uma antiga religião se tornam os demônios da nova. E esse foi certamente o caso aqui. O Deus da Antiga Religião, era um deus cornífero. Portanto, aparentemente, era o demônio cristão. Aos olhos da Igreja, os pagãos eram obviamente adoradores do Demônio. Esse tipo de raciocínio é usado pela Igreja ainda hoje. (…) Não fazia diferença que as pessoas fossem boas, felizes e muitas vezes vivessem melhor do ponto de vista moral e ético do que a vasta maioria dos cristãos… elas tinham que ser convertidas.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 36.

Conversão em massa

Uma tentativa de conversão em massa foi feita pelo Papa Gregório, o Grande. Ele achava que erigir igrejas nos lugares de templos pagãos, onde as pessoas já estavam acostumadas a se reunir, era uma forma de fazer com elas frequentassem as novas igrejas cristãs. (…) Quando as primeiras igrejas cristãs foram construídas, os únicos disponíveis para construí-las eram os próprios pagãos. Ao ornamentar as igrejas, os pedreiros e escultores claramente incorporaram à decoração figuras de suas próprias divindades. Dessa maneira, mesmo sendo obrigadas a ir às igrejas, as pessoas ainda podiam cultuar seus próprios deuses ali.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, pp. 34-35.

Bruxaria legalizada

A Bruxaria não é apenas lendária; ela foi e é real. Não está extinta; está viva e progride a cada dia. Desde que as últimas leis contra a Bruxaria foram revogadas (e isso só aconteceu nos anos 1950), os Bruxos puderam vir a público e mostrar-se pelo que são.

(…) A Bruxaria não é um passo atrás, um retrocesso para uma época repleta de superstições. Longe disso. É um passo à frente. A Bruxaria é uma religião muito mais relevante para esta era do que a maioria das igrejas estabelecidas. É a aceitação da responsabilidade pessoal e social. É o reconhecimento de um universo holístico e um caminho rumo a uma elevação de consciência. Direitos iguais, feminismo, ecologia, sintonia com o universo, amor fraternal, cuidado como planeta –  todas essas coisas são uma parte e uma parcela da Bruxaria, a antiga e, ainda assim, nova religião.

(…) Covens (grupos de bruxos)

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 19.