Círculo para bruxaria

Um embaixador romano, num país estrangeiro, formava um círculo de subalternos ao seu redor, para mostrar que estava protegido de ataques; os babilônios fazer um círculo de farinha ao redor da cama de um homem doente, para manter os demônios afastados; os judeus alemães, na idade média, desenhar um círculo ao redor da cama de uma mulher em trabalho de parto, para protegê-la contra espíritos malignos. O uso de um círculo para marcar a fronteira de uma área que é sagrada é muito antigo (veja Stonehenge, por exemplo). Mas o Círculo não apenas mantenha os indesejados do lado de fora, e também mantém o que se deseja – o poder do elevado, a energia mágica – contido dentro dele.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 126

Ocasião, sentimento, limpeza

(…) alguns fatores essenciais da magia.

O primeiro deles é a ocasião em que a magia é realizada. (…) A magia construtiva (para o crescimento) é realizada, basicamente, durante o quarto crescente, e a magia para destruição é realizada durante o quarto minguante. A magia construtiva consiste em estimular coisas com amor, sucesso, a proteção, à saúde, a fertilidade. A magia destrutiva inclui feitiço de amarração, separação, eliminação, extermínio. Essas magias tem um elemento de magia simpática apenas com relação a época em que são realizadas.  (…)

O segundo fator essencial da magia é o sentimento. Você precisa realmente querer que aconteça aquilo pelo que você está trabalhando. Precisa querer com todo o seu ser. Investir cada infinita partícula de poder nesse desejo, nessa vontade de ver algo acontecer. (..) Esse forte “sentimento” é, com efeito, o “poder” acumulado usado na magia. Como auxiliares, ou propulsores do seu poder, podem ser usados um grande número de amplificadores. Um desses é o canto e outro é a rima. O cantar ritmado de um feitiço, com uma batida seca, regular, pode ajudar a intensificar seu sentimentos e, desta maneira, aumentar seu poder. (…)

A limpeza é o terceiro fator essencial da magia.  Quando praticar magia, é aconselhável estar com o corpo limpo. Interna e externamente. (…) Também prepare o corpo inteiro e hoje removendo as toxinas faça isso jejuando durante 24 horas, antes de realizar o trabalho mágico. Abstenha-se do álcool, da nicotina e da atividade sexual.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, pp. 83-84.

Magia e mentalização

Imagine uma luz branca brilhante vinda de cima e entrando em seu corpo pelo topo da cabeça. Sinta-a se espalhar pelo seu corpo inteiro e então direcione-a para o seu braço. Concentre todas as suas energias para envia-lá para o seu braço, pelo dedo e para dentro da água.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 74.

Tudo isso é Magia

Pois existem três grandes eventos na vida do homem: o Amor, a Morte e a Ressurreição num novo corpo; e a Magia controla todos os três. Pois, para conhecer plenamente o amor; você deve voltar a mesma época e ao mesmo lugar que a pessoa amada, e deve se lembrar e ama-la novamente. Mas, para renascer, você tem de morrer estar pronto para um novo corpo; para morrer, você tem de nascer; e, sem amor, você não pode nascer. E tudo isso é Magia!

Um trecho do “Mito da Deusa” como encontrado na Wicca gardneriana.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 66.

Feitiços e Encantamentos

O mais importante ingrediente para um feitiço é a emoção. Você precisa querer que alguma coisa aconteça. Precisa querer com todo o seu ser e, por meio desse desejo, você vai direcionar todo o seu poder para a magia.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 51

Princípios da Crença Wiccana / Conselho dos Bruxos Americanos – 1974

  1. Nós praticamos ritos para nos sintonizar com os ritmos naturais das forças vitais, marcados pelas fases da Lua e pelas mudanças e pelos ápices das estações.
  2. Reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única com relação ao nosso meio ambiente. Procuramos viver em harmonia com a natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo condições à vida e a consciência segundo uma visão evolutiva.
  3. Reconhecemos a existência de um poder muito maior do que aquele que se manifesta na pessoa comum. Por sem bem maior que o normal, ele é às vezes chamado de “sobrenatural”, mas o vemos como uma parte natural do potencial de todos.
  4. Compreendemos que o Poder Criativo do Universo se manifesta por meio da polaridade – como masculino e feminino – e que esse mesmo Poder Criativo habita em todas as pessoas e age por meio da interação entre o masculino e o feminino. Não valorizamos um mais do que o outro, porque sabemos que se complementam. Valorizamos o sexo como prazer, como símbolo e corporificação da vida e uma das fontes de energia usada nas práticas mágicas e nos cultos religiosos.
  5. Reconhecemos a existência tanto dos mundos exteriores quanto dos interiores, ou psicológicos – às vezes conhecidos como Mundo Espiritual, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc – e vemos na interação dessas duas dimensões a base dos fenômenos paranormais e das práticas de magia. Não negligenciamos nenhuma das dimensões, pois ambas são necessárias para a nossa realização.
  6. Rejeitamos toda hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que nos ensinam, respeitamos aqueles que compartilham seu conhecimento e sua sabedoria, e admiramos aqueles que corajosamente deram de si para exercer funções de liderança.
  7. Vemos a religião, a magia e a sabedoria de vida como uma unidade na forma pela qual uma pessoa vê o mundo e vive nele, uma visão do mundo e uma filosofia de vida que identificamos como Bruxaria – O Caminho Wiccano.
  8. Dizer-se Bruxo não faz de ninguém um Bruxo – tampouco a hereditariedade ou uma coleção de títulos, graus ou iniciações. O Bruxo busca controlar as forças de si mesmo que tornam a vida possível, de modo a viver com sabedoria e bem, sem prejudicar outras pessoas e em harmonia com a natureza.
  9. Acreditamos na afirmação e na plenitude da vida, numa contínua evolução e num contínuo desenvolvimento da consciência, dando sentido ao Universo que conhecemos e ao nosso papel dentro dele.
  10. Nossa animosidade com relação ao Cristianismo ou qualquer outra religião ou filosofia de vida só existe na medida em que essas instituições se proclamam “o único caminho”, negando a liberdade a outras entidades e reprimindo outras formas de crença e prática religiosa.
  11. Como Bruxos Americanos, nós não nos sentimos ameaçados por debates sobre a história da Arte, sobre as origens de vários termos, sobre a legitimidade de vários aspectos de diferentes tradições. Nós nos preocupamos com o nosso presente e com o nosso futuro.
  12. Não aceitamos o conceito de mal absoluto, nem adoramos a entidade conhecida como “Satanás” ou “Demônio”, como definido pela tradição cristã. Não buscamos o poder por meio do sofrimento de outros nem aceitamos o conceito segundo o qual benefícios pessoais só podem ser obtidos pela negação do outro.
  13. Acreditamos que devemos buscar na natureza o que pode contribuir para a nossa saúde o nosso bem-estar.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, pp. 47-49.

Os Wicca

(…) esses líderes rituais, ou Sacerdotes e Sacerdotisas, tornaram-se conhecidos como os Wicca – os “Sábios” (…) Eles não apenas conduziam os rituais religiosos, mas também deviam ter conhecimento de ervas, magia e adivinhação; eram médicos, advogados, magos, Sacerdotes.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 34.

Deus de chifres

A maioria dos animais caçados tinha chifres, por isso o ser humano primitivo representava o Deus da Caça também com chifres. Essa foi a a primeira vez que  a magia se mesclou com os primeiros passos vacilantes da religião.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 30.

25.000 anos atrás

A primeira forma de magia foi talvez a variedade simpática. Coisas parecidas tinham efeitos parecidos, prensava-se; semelhante atrai semelhante. Se fizessem uma estatueta de um bisão em argila e de tamanho natural e ela fosse “atacada” e “morta”, então  a caá a um bisão de verdade também terminaria na morte do animal.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 30.