A “natalidade” como obrigação

“A “natalidade”, como obrigação à ação, emaranha-nos no tempo. Só a inatividade nos liberta, ou nos redime, do tempo.

Quando festejamos o aniversário, não é para reafirmar o fato de que somos seres ativos. Antes, celebramos, no aniversário, a epifania do gênio que nos eleva para além do tempo. Na festa de aniversário, não nos recordamos de um dia passado. Ela é, antes, “como toda verdadeira festa, uma suspensão do tempo”185. A atemporalidade é a essência da festa. O tempo de festa é um tempo imóvel [Fest-Zeit]186. Assim, celebramos a festa. Só se pode celebrar [begehen] aquilo que permanece [steht] e não passa [vergeht]. Celebramos a festa como se transitássemos por uma obra majestosa. Aquele que age tem objetivos diante dos olhos. Ir a algum lugar e se esforçar por algo é seu modo de caminhar. Aquele que apenas age não é capaz do celebrar festivo que detém o tempo.”

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 1381-1384.

O Pathos da ação