Ritos de Passagem Para Bruxaria

“Um “rito de passagem” é uma transição de um estado de vida para o outro. (…) A iniciação é um conjunto de rituais ensinamentos orais criados para causar uma mudança definitiva no status religioso e social da pessoa que passa pelo ritual. Ocorre uma catarse, uma purificação espiritual. Ela se torna, de fato, outra pessoa. O tema central da iniciação (qualquer iniciação, quer seja na bruxaria, numa tribo primitiva ou mesmo no cristianismo) é o que se chama de palingênese: um renascimento. Você está colocando um ponto final na vida como a conheceu até este ponto e “renascendo”…com um novo conhecimento.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 121.

Reencarnação Condenada?

“A crença na reencarnação é antiga. Ela faz parte de muitas religiões (Hinduísmo e Budismo, por exemplo) e era, inclusive, um dos dogmas originais do Cristianismo, a ter ser condenado pelo Segundo Concílio de Constantinopla, em 553.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 69.

Nota pessoal: há uma divergência nas ideias do autor, que aparentemente concordam com o pensamento espírita no Brasil. Ao consultar os itens elaborados pelo Segundo Concílio de Constantinopla, Notei que os bispos rejeitaram a doutrina do teólogo Orígenes, que em suas teses defende a preexistência da alma, mas junto de Deus apenas. Os documentos do Concílio de Constantinopla não parecem se referir a palingenesia, ou seja, o colégio não tem em mente a multiplicidade de vidas pregressas. Vide abaixo referência do Cânone XI do Concílio:

A principal cláusula, ou anátema, é a da condenação da preexistência que, em síntese, é a seguinte: “Quem sustentar a mítica crença na preexistência da alma e a opinião, consequentemente estranha, de sua volta, seja anátema”.(Anátema no dicionário quer dizer : excomunhão, maldição, reprovação). Vamos ver agora essa cláusula na íntegra: “Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas preexistiram na condição de inteligências e de santos poderes; que, tendo se enojado da contemplação divina, tendo se corrompido e, através disso, tendo se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele seja anatematizado!”. E eis o texto original em latim: “Si quis dicit, aut sentit proexistere hominum animas, utpote quae antea mentesfuerint et sanctae, satietatemque cepisse divinae contemplationis, e in deterius conversas esses; atque  ideirco apofixestai id est refrigisse a Dei Charitate, et inde fixas graece, id est, animas esse nuncupatas, demissasque esse in corpora suplicii causa: anathema”. 

Fonte do artigo visto na data de hoje: https://pt.wikipedia.org/wiki/Segundo_Conc%C3%ADlio_de_Constantinopla#Os_c%C3%A2nones_do_II_Conc%C3%ADlio 

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Consciência Individual e Vontade Universal

“O alvo do mito consiste em dissipar a necessidade dessa ignorância diante da vida por intermédio de uma reconciliação entre consciência individual e vontade universal. E essa reconciliação é realizada através da percepção da verdadeira relação existente entre os passageiros fenômenos do tempo e a vida imperecível que vive e morre em todas as coisas.

“Como uma pessoa despe as roupas usadas e as troca por novas, assim também o Eu que habita o corpo despe os corpos usados e os troca por novos. Impenetrável, incombustível, insolúvel, inabalável, esse Eu não é permeado, consumido pelo fogo, dissolvido pela água, abalado pelo feito. Eterno, mutável, imóvel, todo penetrante, o Eu é para sempre inalterável.”

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 232.

Morte e Nascimento

“Apenas o nascimento pode conquistar a morte – nascimento não da coisa antiga, mas de algo novo. Dentro do espírito e do organismo social deve haver – se pretendemos obter uma longa sobrevivência – uma contínua “recorrência de nascimento” (palingenesia) destinada a anular as recorrências ininterruptas da morte”.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 26.