A viagem de Sinbad

“Em sua viagem, Sinbad sofre um naufrágio. Com seus companheiros, ele se salva em uma pequena ilha que lhe parece um jardim paradisíaco. Eles passeiam e caçam. Enquanto fazem uma fogueira para assar a caça, o chão se dobra de repente. As árvores estalam. A ilha era na verdade o dorso de um peixe gigante. Ele estava descansando há muito tempo, de modo que o solo fértil se tinha formado em suas costas. O calor do fogo fez o peixe sair do descanso. O peixe mergulha nas profundezas. Sinbad e seus companheiros são atirados ao mar. Ernst Bloch lê o conto de fadas como uma alegoria para nossa relação com as coisas. Ele se opõe à nossa abordagem instrumental para com as coisas. Ele entende a cultura humana como uma instituição muito frágil nas “costas das coisas”. Conhecemos apenas seu “lado frontal ou superior de sua disposição técnica para servir, incorporação amigável”. Mas não vemos nem sua “face inferior” nem o elemento “em que o todo nada”.

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 804.

A parte de trás das coisas

Acesso e logon

“Acesso, ‘logon’, ‘access’ são os termos-chave da era nascente. […] Uma concepção alterada da propriedade na vida econômica mudará permanentemente a maneira como as gerações futuras veem a si mesmas e a vida como tal. Muito provavelmente, um mundo caracterizado por relações de ‘acesso’ produzirá um tipo diferente de pessoas”.

HAN, Byung-Chul. Não coisas: Reviravoltas do mundo da vida. Ed. Vozes, 2021, Local 296.

Da posse à vivência