O sentido profundo do sabá

“O sabá é um “palácio no tempo” que liberta os humanos e os leva do mundo passageiro até aquele mundo que há de vir (Olam Haba). Menucha (repouso) é um sinônimo para o mundo por vir. O sentido profundo do sabá é que a história é suspensa ao ingressar na feliz inatividade.

A criação do ser humano não é o último ato da Criação. Só o repouso do sabá consuma a Criação.

(…)

O repouso do sabá não representa uma simples sequência ao trabalho de Criação. Antes, só ele leva a Criação a seu termo.

HAN, Byung-Chul. Vita Contemplativa, ou sobre a inatividade. Ed. Vozes, 2023, Local 1083-1089.

O Pathos da ação

Dia do não-para

“O cansaço que inspira é um cansaço da potência negativa, a saber, do não-para.

(…)

Também o Sabah, que originalmente significa parar, é um dia do não-para, um dia que está livre de todo para-isso, para falar com Heidegger, de toda e qualquer cura. Trata-se de um tempo intermédio.

(…)

Depois de terminar sua criação, Deus chamou ao sétimo dia de sagrado. Sagrado, portanto, não é o dia do para-isso, mas o dia do não-para, um dia no qual seria possível o uso do inútil. É o dia do cansaço. O tempo intermediário é um tempo sem trabalho, um tempo lúdico. (…)”

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Ed. Vozes, 2022, Local 623-625.

7| Sociedade do Cansaço