V Sermão

“O mundo dos deuses se torna manifesto na espiritualidade e na sexualidade. Os celestes aparecem na espiritualidade, os terrestres na sexualidade. A espiritualidade concebe e acalenta. É feminina e por isso a chamamos de MATER COELESTIS, a mãe celeste. A sexualidade gera e cria. Masculina, a chamamos de PHALLOS, o pai terrestre. A sexualidade do homem é mais da terra; a da mulher, mais espiritual. A espiritualidade do homem é mais do céu, vai para o mais vasto. A da mulher, mais da terra, vai para o mais ínfimo.

O homem é fraco, portanto a comunhão é indispensável. Se vossa comunhão não estiver sob o signo da Mãe, então está sob o signo de Phallos. Nenhuma comunhão é sofrimento e doença. A comunhão em tudo é desmembramento e dissolução. A individualidade leva ao isolamento. O isolamento se opõe à comunhão. Mas por causa da fraqueza do homem contra os deuses e os demônios e sua lei invencível, a comunhão é necessária.

Na comunhão, que cada homem se submeta aos demais, para que seja mantida; pois precisais dela. No isolamento, um homem será superior aos demais, para que todos possam vir a ele e evitar a escravidão. Na comunhão haverá continência. No isolamento, prodigalidade. Comunhão é profundeza. Isolamento é elevação. A medida certa na comunhão purifica e preserva. No isolamento, purifica e aumenta. A comunhão nos dá calor; o isolamento, luz.”

 

JUNG, Carl Gustav. Memórias, sonhos, reflexões. Ed. Nova Fronteira, 2019, Local Kindle 7117-7144.

Septem Sermones Ad Mortuos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostei e vejo sentido em compartlhar essa ideiA

Facebook
Twitter
Pinterest

QUER MAIS?

Chamado de místico

“Como muitas pessoas contemporâneas ainda não compreendem essa experiência, Jung tem sido caluniosamente chamado de

Leia mais