“Transportado para a linguagem atual, significa que o iniciado passa por uma “análise” no sentido de uma dissolução de todas as suas características não autênticas — por exemplo: convencionais ou infantis —, a fim de conquistar o caminho em direção ao que ele é em seu verdadeiro ser. Na linguagem junguiana, significa que ele se torna individuado, uma personalidade sólida que não é mais um futebol de afetos internos e projeções ou de tendências e modismos externos da sociedade.
(…)
(…) na minha opinião, o que é absolutamente necessário não é nos tornarmos grandes curadores, e sim conhecermos nossos limites.
Um problema especial na profissão da análise é a criatividade. Sem sombra de dúvida, os melhores analistas são aqueles que, ao lado da profissão, estão envolvidos em alguma atividade criativa. Não é à toa que, nas sociedades primitivas, os curandeiros são também, de modo geral, os poetas, pintores e artistas do seu povo. Os elementos criativos e curativos estão muito próximos.
Em todos os contextos, permanece a questão de encontrar no mais profundo de nós a influência ordenadora do Si-mesmo e expressá-la nos símbolos, na arte, nas nossas ações. Se, além de dar as consultas, o analista não estiver trabalhando também em sua tarefa, como salientou Jung, ele se torna escravo da rotina e, com o tempo, torna-se um analista insípido. (….) E não basta termos sentido uma única vez o chamado da vocação; o direito de praticarmos esta profissão precisa ser repetidamente conquistado dentro de nós.”
FRANZ, Marie-Louise von. Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 332-336.
Profissão e Vocação
