A imaginação ativa 

“Esta pode ser melhor dividida em quatro partes ou fases:

1. Como saber quando devemos esvaziar a nossa mente do ego, libertando-nos do fluxo de pensamentos que nos conseguem interromper (“a mente ali”, “pirada”, como o chamam os zen budistas) O processo é mais difícil no caso da pintura (…)

A maioria das técnicas de meditação oriental, como o zen, certos exercícios de ioga, bem como a meditação taoista, bebem-nos diretamente nesta primeira fase.

2. Nesse ponto, temos de deixar que uma imagem de fantasia oriunda do inconsciente flua para o campo da percepção interior. Ao contrário das técnicas acima mencionadas, neste caso nos acolhemos a imagens em vez de enxotá-las ou desconsiderá-las, passando a nos concentrar nela. Depois de atingirmos esse ponto, temos de ficar atentos da típica de erro: o primeiro é quando nos concentramos demais na imagem que surge e literalmente a “fixamos”, congelando-a, por assim dizer; o segundo é quando não nos concentramos o suficiente, o que faz com que as imagens interiores comecem a se modificar rápido demais, e um filme interno acelerado comece a passar. Na minha experiência, pude perceber que são basicamente as pesoas tipo intuitivo, que costumam cometer o último erro. Elas escrevem histórias ou contos de fantasia que não têm um ponto focal, ou não envolvem em um relacionamento pessoal com os eventos interiores. Esse é o nível da imaginação passiva, da divagação fantástica que contrasta com a imaginação verdadeira, como a chamariam os alquimistas.

3. Chegamos agora à terceira fase. Ela consiste em permitir que a forma de fantasia interiormente percebida seja relatando-a por escrito, pintando-a, esculpindo-a, escrevendo-a como uma música seja dançando-a (em cujo caso os movimentos da dança devem ser anotados) (…) Com frequência, também pode ajudar um pequeno ritual como acender uma vela ou andar em círculos. Isso provoca a participação da matéria inorgânica. Jung me disse certa vez que isso é mais eficaz do que a maneira comum de fazer a imaginação ativa, mas não soube me dizer por quê.”

(…) o papel do corpo na análise.

FRANZ, Marie-Louise von. Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 203-205.

A imaginação ativa 

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