Arquétipos e Inconsciente Coletivo

“A psique constitui o objeto da Psicologia e também é, infelizmente, o seu sujeito. Não podemos fugir a tais fatos.

Os poucos sonhos que escolhi para ilustrar aquilo que chamo de “experiência imediata” certamente pouco significarão para um olhar inexperiente. Não são espetaculares, mas modestos testemunhos de uma experiência individual.

(…)

Um dogma é sempre o resultado e o fruto do labor de muitos espíritos e de muitos séculos. Acha-se purificado de tudo o que há de extravagante, insuficiente e perturbador na experiência individual. Mas apesar disso a experiência individual, justamente por sua pobreza, é vida imediata, sangue quente e rubro que pulsa nas veias do homem. Para quem busca a verdade ela é mais persuasiva do que a melhor das tradições. Nulla fluida e sempre individual, pois o indivíduo é o sustentáculo da vida.

(…)Do mesmo modo que os sonhos são feitos de um material preponderantemente coletivo, assim também na mitologia e no folclore dos diversos povos certos temas se repetem de forma quase idêntica. A estes temas dei o nome de motivos. Designo com a qual indico certas formas ou imagens de natureza coletiva, que surgem por toda parte como elementos constitutivos dos mitos e, ao mesmo tempo como produtos autóctones individuais de origem inconsciente. Os temas arquetípicos provêm, provavelmente, daquelas criações do espírito humano transmitidas não só por tradição e migração como também por herança.Esta última hipótese é absolutamente necessária, pois imagens arquetípicas complexas podem ser reproduzidas espontaneamente, sem qualquer possibilidade de tradição direta.

Os temas arquetípicos provêm, provavelmente, daquelas criações do espírito humano transmitidas não só por tradição e migração como também por herança.*

Nota*: O termo “arquétipo” é empregado por Cícero, Plínio e outros. Com o conceito explicitamente filosófico, aparece no Corpus Hermeticum.

A tetraktys (quaternidade, para empregar a expressão pitagórica – se refere, de fato, à “concentração interior”, como bem mostra o sonho de nosso paciente.”

JUNG, C.G. Psicologia e Religião.Psicologia e Religião Ocidental e Oriental ,OC. Editora Vozes. 2012. Pág.67-70.

II. Dogma e Símbolos naturais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostei e vejo sentido em compartlhar essa ideiA

Facebook
Twitter
Pinterest

QUER MAIS?

Liberdade e Escolha

“O “livre-arbítrio” constitui um sério problema, não somente do ponto de vista filosófico, como também

Leia mais