Realidade da Psique

Observe-se a incrível crueldade de nosso mundo supostamente civilizado – tudo isto tem sua origem na essência humana e em sua situação espiritual (Observe-se os meios diabólicos de destruição! Foram inventados por gentlemen inofensivos, cidadãos pacatos e respeitados e tudo aquilo que se possa desejar. E se tudo explodir, abrindo-se um inferno indescritível de destruição, parece que ninguém será responsável por isso. É como se as coisas simplesmente acontecessem. E, no entanto, tudo é obra do homem. Mas como cada um está cegamente convencido de não ser mais do que uma simples consciência, muito humilde e sem importância, que cumpre regularmente suas obrigações, ganhando seu modesto sustento, ninguém percebe que toda a massa racionalmente organizada a que se dá o nome de Estado ou Nação é impelida por um poder aparentemente impessoal, invisível, mas terrível, cuja ação ninguém ou coisa alguma pode deter. Em geral, tenta-se explicar esse poder terrível pelo medo mútuo da nação vizinha, que se supõe estar possuída por um demônio maligno. E como ninguém pode saber em que ponto e com que intensidade é possuído e é inconsciente, simplesmente projeta seu próprio estado no vizinho. Torna-se então um dever sagrado possuir os maiores canhões e os gases mais venenosos. E o pior de tudo é que se tem razão. Cada vizinho se acha dominado pelo mesmo medo incontrolado e incontrolável. É fato bem conhecido nos manicômios que os pacientes que têm medo são muito mais perigosos do que os impulsionados pela ira ou pelo ódio.

O católico tem sempre a seu dispor a confissão e a absolvição para equilibrar um excesso de tensão. O protestante, ao contrário, acha-se entregue à tensão interior que pode continuar aguçando sua consciência.”

JUNG, C.G.
Psicologia e Religião.Psicologia e Religião Ocidental e Oriental ,OC. Editora Vozes. 2012. Pág.66-67.

II. Dogma e Símbolos naturais

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