“(…) Logo no início da reunião, Zélio quebrou o protocolo ao se levantar e dizer: “Aqui falta uma flor”. Ele então se dirigiu ao jardim, retornou com uma rosa branca, colocou-a em cima da mesa e se sentou novamente. Zélio foi repreendido por essa atitude, e a sessão prosseguiu normalmente. Primeiro foi feita a leitura do evangelho, depois as discussões doutrinárias e, por fim, começaram as incorporações.
Ao abrir para as manifestações, os médiuns da casa começaram a incorporar Pretos-velhos e Índios. O condutor da reunião tentou em vão expulsar esses guias, alegando, como já falamos anteriormente, que eles não eram bem-vindos. Até que o próprio Zélio levantou-se, transfigurado, e questionou por que esses espíritos não poderiam falar naquele lugar. O clarividente enxergou o espírito através do garoto e logo alguém perguntou quem estava se pronunciando. Como resposta, todos do Centro Espírita ouviram:
“SE É PARA QUE EU TENHA UM NOME, DIGO QUE MEU NOME É CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, PORQUE PARA MIM NÃO HAVERÁ CAMINHOS FECHADOS. EU VIM TRAZER UMA NOVA RELIGIÃO, QUE VAI ACALMAR E ACOLHER AS FAMÍLIAS PARA OS PRÓXIMOS SÉCULOS.”
Quando questionado pelo clarividente sobre as vestes clericais que usava, o Caboclo respondeu que aquelas roupas eram vestígios de sua última vida. De quando ele foi o Frei Gabriel Malagrida, morto pela Inquisição por ter previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755 e pelo seu envolvimento em defesa dos indígenas no Brasil. Para finalizar, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou que daria início, no dia seguinte, a uma nova religião na casa do seu médium Zélio Fernandino, às oito horas da noite. Essa nova religião seria um ambiente em que esses espíritos bondosos que tinham o desejo de ajudar e consolar as pessoas pudessem se manifestar e cumprir o seu propósito.
No dia 16 de novembro, a porta da casa da família Moraes estava cheia de pessoas. E, pontualmente, às oito horas, o corpo de Zélio chacoalhou, e o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou, dando início aos atendimentos. Naquele dia, coisas incríveis aconteceram. As pessoas que chegaram em cadeiras de rodas saíram andando, as que estavam com algum tipo de demência ou perturbação saíram recuperadas, entre muitas outras coisas.”
QUEIROZ, Rodrigo.Umbanda para iniciantes.Porto Alegre: Citadel, 2023, pág. 90-92.
