“(…) De acordo com minha experiência, todo aquele que dedicou longo tempo em sua análise ao reconhecimento consciente de seus problemas tornou-se atraente para as pessoas que o cercam. Elas sentem que ele possui algo que as atrai. Elas começam a apresentar seus sonhos e problemas para ele fora do ambiente profissional. Não obstante, parece-me que nem mesmo isso é sempre prova suficiente da adequabilidade da pessoa.
(…)
Um problema difícil se apresenta pelos possíveis estagiários que são possuídos pelo arquétipo da cura. A imagem arquetípica do curador está relacionada com a do puer aeternus, o filho-deus criativo da Grande Mãe.
Número considerável de jovens que têm um complexo materno têm a tendência de se identificar com esse arquétipo. Eles costumam manifestar uma qualidade “maternal” com relação a todos que são indefesos ou sofredores, e frequentemente também têm um dom para o ensino.
A partir desse ponto de vista, eles seriam adequados à profissão de analista; no entanto, por causa da sua identificação com o arquétipo, esses jovens sofrem de uma inflação. Nesses casos, é proveitoso compeli-los a empreender um sério estudo, talvez até estudos na área da medicina, porque a pessoa que está inflada não gosta de trabalhar; ela acha que já sabe tudo melhor e mais profundamente do que os outros.
(…) É importante para essas pessoas compreender que é o inconsciente que, em última análise, causa e dirige o processo da cura, e que o analista é apenas aquele que ajuda e apoia o processo, e não seu autor.”
FRANZ, Marie-Louise von. Psicoterapia.São Paulo: Paulus, 2021, pág. 319-320.
Profissão e Vocação
