Senioridade e Sabedoria

Meu querido, as tais tramas da vida ainda nos são necessárias para o aperfeiçoamento de nossas virtudes e caráter. Não há encarnação sobre a Terra que delas não precise ou as possa dispensar. Saiba, contudo, que em todas as suas provas, estamos aqui. Certos atritos ainda serão inevitáveis, pelo que vejo, mas que a sua consciência seja fiel aos valores nos quais acredita e defende.

“Fareis passar pela porta que tiverdes passado” foi o que nosso General te disse. Considera que os sentimentos que agora te habitam são parte da experiência necessária para conhecer o sabor deste momento e poder oferecer, em futuro breve, a mão solidária a quem te procurar. O mercado chama isso de senioridade. Nós chamamos sabedoria: o conhecimento integrado ao ser por suas experiências de vida.

A diferença de senioridade é que as experiências do mercado nem sempre fazem dos seres humanos seres melhores, senão apenas mais hábeis no trato diário de suas tarefas corporativas. A sabedoria, ao contrário, harmoniza a experiência de vida do ser com o sentido das leis universais e o ancora de forma concreta no centro do mundo subjetivo, espiritual. O ser encontra o seu sentido para além dos fatos e assim age de acordo com o fluxo que percebe, compreende e vivencia todos os dias.

Age por amor, com amor e para o amor. Isso não significa que suas experiências serão mais fáceis, ou gerarão menos atrito. Mas que serão essenciais para o avanço benéfico de todas as coisas. Lembre-se sempre do nosso mestre com o chicote no templo. Não poderíamos fazer imagem melhor para ilustrar o que digo. O amor é firme, forte, coerente. O Amor é corajoso, não se acovarda diante dos tantos receios da vida. O amor é ação com sentido, fruto do pensamento que se eleva para o alto. É conhecimento, movimento e transformação.

Meu beijinho ao seu coração,
Encontre na calma interior a certeza de que tudo vai dar certo!

Olívia

A mensagem do Redentor “do Mundo”

O mundo se acha repleto de grupos inimigos em função dessa atitude: adoradores de totens, bandeiras e partidos. Mesmo as chamadas nações cristãs – que, segundo se supõe, seguem um Redentor “do Mundo” – são mais bem conhecidas, na história, pela sua barbaridade colonial, e pelas lutas internas, do que por alguma demonstração prática de amor incondicional, sinônimo da conquista efetiva do ego, do mundo do ego e do deus tribal do ego, que foi ensinada pelo seu professado Senhor supremo:

“Digo, a vós que ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam. Bendizei os que vos maldizem e orai pelos que vos caluniam. (…) E, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa obtereis? (…) Sede pois misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso.”

Uma vez que nos libertemos dos preconceitos da nossa própria versão provincianamente limitada, de caráter eclesiástico, tribal ou nacional, dos arquétipos do mundo, torna-se possível compreender que a suprema iniciação não é dos pais maternais locais, que projetam a agressão nos vizinhos para garantir sua própria defesa.  A boa nova, que o Redentor do Mundo traz e que tantos se rejubilaram, por ouvir, pela qual se empenharam em orar, mar que relutam, aparentemente, em demonstrar, afirma que Deus é amor, que Ele é, e deve ser, amado, e que todos, sem exceção, são filhos seus.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 151-152

Interpretação dos fatos

O que realmente nos assusta e desanima não são os acontecimentos externos em si, mas a maneira como pensamos a respeito deles. Não são as coisas que nos perturbam, mas a forma como interpretamos o seu significado.

Epicteto. A arte de viver/ Epicteto; uma nova interpretação de Sharon Lebell. Sextante, Rio de Janeiro, 2018, p. 28.

Nossas expectativas

AS circunstâncias não ocorrem para atender às nossas expectativas. Os fatos acontecem como têm que acontecer. As pessoas comportam-se de acordo com o que são. Acolha as coisas que de fato conseguir.

(…) Quando algo acontece, a única coisa que está em seu poder é a sua atitude com relação ao fato. Suas alternativas são a aceitação ou o ressentimento.

Epicteto. A arte de viver/ Epicteto; uma nova interpretação de Sharon Lebell. Sextante, Rio de Janeiro, 2018, p. 27.