Saber é o primeiro passo

A pujança de enxertos cotidianos reflete a transição das energias do inverno para o princípio da primavera, onde todos os brutos devem desabrochar, os galhos reflorescer, e as fragrâncias  impregnar de convite à vida todos os ambientes dos sítios naturais. Esta face do orbe ora se realinha com novas porções de energia e os ciclos vão se complementando e se balanceando numa quase eterna compensação.

Ainda assim, nascer requer coragem, força e empenho! Eis o desafio da consistência ao longo do tempo: tendo reconhecido o destino próximo, esquecer-se de rodar os próximos quilômetros até lá, giro à giro, metro por metro.

Saber é o primeiro passo. Mas jornadas não se fazem de um passo só. Avancemos sempre!

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A força do propósito

Diante de um homem que não se deixa desviar por sentimentos provocados pelas superfícies daquilo que ver, mas responde corajosamente a dinâmica de sua própria natureza – um homem que, como descreve Nietzsche, é “uma roda que gira por si mesma” – , as dificuldades se dissolvem e a estrada é imprevisível vai sendo formada a medida que ele caminha.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 330-331.

Jesus, o resumo do mito

Eis todo o mito num momento: Jesus, o guia, o caminho, a visão e o companheiro do retorno. Os discípulos são os iniciados, ainda não dominam o mistério, mas são introduzidos na experiência total do paradoxo dos dois mundos em um. Pedro foi tomado de estar o temor, que balbuciou. A carne dissolvera-se diante dos seus olhos para revelar a Palavra. Eles caíram sobre o seu rosto e, quando se ergueram, a porta tornara a se fechar.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 226.

Diferentes

Os problemas surgem apenas quando um grupo se sene superior aos outros. É preciso que se reconheça que todos nós somos diferentes. Como afirmei várias vezes, existem muitos caminhos, mas todos levam ao mesmo lugar.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 26.

Religião de cada um

Assim como nenhuma religião é correta para todas as pessoas, não existe uma denominação da Bruxaria que seja correta para todos os Bruxos. E é assim que deve ser. Todos somos diferentes. Nossos antecedentes – étnicos e sociais – variam imensamente. Costuma-se dizer que existem muitos caminhos, mas todos levam ao mesmo lugar.

Buckland, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. Editora Pensamento Cultrix, São Paulo, 2019, p. 20.

Dissolução, transcendência ou transmutação

É assim que se alguém – em qualquer sociedade – assumir por si mesmo a tarefa de fazer a perigosa jornada na escuridão, por meio da descida, intencional ou involuntária, aos tortuosos caminhos do seu próprio labirinto espiritual, logo se verá numa paisagem de figuras simbólicas (podendo qualquer delas devorá-lo), o que não é menos maravilhoso que o selvagem mundo siberiano do pudak e das montanhas sagradas. No vocabulário dos místicos, esse é o segundo estágio do Caminho, o estágio da “purificação do eu”, em que os sentidos são “purificados e tornados humildes” e as energias e interesses, “concentrados em coisas transcendentais”; ou, num vocabulário mais moderno: trata-se do processo de dissolução, transcendência ou transmutação das imagens infantis do nosso passado pessoal. Em nossos sonhos, os perigos, gárgulas, provações, auxiliares secretos e guias ainda são encontrados à noite; e podemos ver refletidos, em suas formas, não apenas todo o quadro da nossa presente situação, como também a indicação daquilo que devemos fazer para ser salvos.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, p. 105.