Sobre templos e museus

Sempre que é objeto de uma interpretação que a encara como biografia, história ou ciência, a poesia presente no mito fenece. As vividas imagens estiolam-se em fatos remotos de um tempo ou céu distantes. Ademais, jamais há dificuldade em demonstrar que a mitologia, tomada como história ou ciências, é um absurdo. Quando uma civilização passar interpretar sua mitologia deste modo, a vida e foge, os templos transformam-se em museu e o vínculo entre as duas perspectivas é dissolvido. Uma tal praga certamente se abateu sobre a Bíblia e sobre grande parte do culto cristão.

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Pensamento, São Paulo, 2007, pp. 244-245.